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Tensões entre republicanos emergem na crise do Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A opinião pública americana e mesmo alguns setores do Partido Republicano estão cada vez mais apreensivos com a situação no Iraque e com a intensificação da espiral de violência no país. A Casa Branca e o Pentágono também estão preocupados, mas a resposta é redobrar campanhas de relações públicas para convencer o país que a estratégia está no rumo certo e neutralizar pressões para fixar cronogramas para a redução da presença militar no Iraque. O sentimento de apreensão em relação ao Iraque se soma a inquietações sobre o tratamento de prisioneiros muçulmanos na base de Guantánamo, em Cuba. O enxame de alegações sobre abusos colocou a administração Bush na defensiva e o próprio presidente não descartou o fechamento do centro de detenção que abriga 520 pessoas. Congressistas influentes do Partido Republicano dizem que o Poder Legislativo deveria supervisionar com mais atenção o que se passa em Guantánamo na medida em que o campo de prisioneiros se tornou, na definição do senador Mel Martinez, um "ícone de histórias negativas"que estão prejudicando os esforços na chamada guerra contra o terror. Imagem O prejuízo é mais patente na imagem internacional dos Estados Unidos, pois as pesquisas indicam que, na percepção da opinião pública americana, os informes de maus-tratos de prisioneiros em Guantánamo são mais incidentes isolados do que um padrão sistemático. Já no caso do Iraque, as dúvidas da opinião pública são mais abrangentes. Uma pesquisa do Instituto Gallup mostra que seis em dez americanos advogam uma retirada total ou parcial das tropas americanas do país. E uma sondagem da agência de notícias Associated Press revela que apenas 41% aprovam o desempenho do presidente no Iraque, o pior número já registrado neste tipo de avaliação. Políticos tomam nota deste estado de espírito e se mobilizam no Congresso. Um grupo bipartidário apresentou resolução exigindo que Bush submeta um cronograma para a retirada das tropas até o final do ano e que a redução deveria começar em outubro de 2006. O governo rebate que não pode fixar "prazos artificiais", que no final das contas significariam recompensar os rebeldes. Vietnã O Pentágono também toma nota das dúvidas populares. O chefe de operações no Estado-Maior das Forças Armadas, general James Conway, reconheceu ser crucial reverter os números nas pesquisas de opinião. E traçou o paralelo inevitável com a Guerra do Vietnã, onde o declínio de apoio popular e os protestos pacifistas enfraqueceram os esforços militares e em última instância levaram à retirada americana do sudeste asiático. Na expressão do general Conway, "a opinião pública é o centro de gravidade. Em uma democracia, sem apoio popular certas coisas não podem ser feitas". Mas a razão de ser de Bush é agir como um presidente guerreiro. Este atributo foi o fator crucial para sua reeleição em novembro. Sua resposta, portanto, não é bater em retirada, mas redobrar a ofensiva para convencer o país que ele está no rumo certo. Sacrifícios Nas próximas semanas, o presidente deve fazer muitos pronunciamentos sobre o Iraque e um tema preferencial é que os sacrifícios compensaram porque uma democracia está sendo forjada no coração do Oriente Médio, a despeito do impasse político e da violência sectária. Apesar do desencanto popular nos Estados Unidos não existe o clamor por uma debandada e em outras situações dramáticas da crise do Iraque o governo foi capaz de reverter as percepções negativas. A novidade são tantas tensões internas no Partido Republicano, embora não faça sentido falar de um estágio de rebelião contra a linha oficial. Há desconforto com o otimismo retórico da Casa Branca e a caracterização feita pelo vice-presidente Dick Cheney de que a insurgência no Iraque esteja nos "últimos estertores". O senador Chuck Hagel, um potencial candidato republicano à sucessão de Bush, adverte que o governo está "desconectado da realidade". |
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