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Países neutros mediarão reforma no Conselho de Segurança | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Assembléia Geral da ONU, Jean Ping, apontou Holanda, Panamá e Liechtenstein para mediarem as negociações pela reforma do Conselho de Segurança da organização. Os três países irão intermediar as conversas entre o G-4 – grupo formado por Brasil, Índia, Alemanha e Japão, que propõe a criação de seis novos assentos permanentes no Conselho – e o grupo União Para o Consenso, liderada por Paquistão, Itália e Argentina, que propõe a criação de dez novos membros rotativos, não permanentes, para o órgão. Ainda desta sexta-feira, Ping, que representa o Gabão na ONU, deverá apresentar à Assembléia Geral um esboço para reforma ampla das Nações Unidas, incluindo áreas como desenvolvimento, paz e segurança, direitos humanos, cumprimento da lei e o fortalecimento da ONU. Ping disse à imprensa que acredita ser possível obter um acordo entre o G-4 e a União Para o Consenso quanto às mudanças no Conselho de Segurança até o próximo dia 21 de junho. Acordo Diante da disputa sobre a reforma do Conselho, o esboço de Ping para mudanças no órgão deverá apenas representar os modelos defendidos pelo G-4 e pela União Para o Consenso. Caso o acordo seja obtido, a Assembléia Geral votaria sobre a reforma do Conselho até o fim de julho. Entretanto, segundo um membro do G-4 ouvido pela BBC Brasil, se o impasse prevalecer, Brasil, Índia, Alemanha e Japão deverão apresentar sua própria resolução à Assembleia Geral ainda em junho, para uma primeira votação aberta. Para que sua resolução seja aprovada, o G-4 necessita da adesão de pelo menos 128 países ou dois terços dos 191 membros da ONU. Além disso, o G-4 necessita também do apoio – ou abstenção – dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China. Pressão O veto de apenas um deles anularia a resolução. Recentemente o governo chinês declarou que considera as aspirações do G-4 “perigosas”. Segundo um diplomata europeu ouvido pela BBC Brasil, a China “tem exercido uma tremenda pressão sobre os países que passaram a apoiar abertamente o G-4”. O governo de Pequim tem se oposto abertamente à pretensão do Japão de integrar o Conselho de Segurança. A reportagem apurou também que o governo brasileiro tem realizado reuniões bilaterais com o governo chinês para tentar mudar sua posição sobre o G-4. Durante a recente visita do presidente chinês, Hu Jin Tao, ao Brasil, a China declarou seu apoio à candidatura brasileira ao Conselho de Segurança. Em troca, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva prometeu reconhecer a China como uma economia de mercado. |
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