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Indicação de embaixador na ONU vai ao Senado dos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Comissão de Relações Exteriores do Senado americano decidiu nesta quinta-feira enviar para o plenário a indicação de John Bolton para o cargo de embaixador dos Estados Unidos na ONU. Numa decisão considerada incomum, a comissão enviou a indicação sem uma recomendação de aprovação, apesar de dez dos seus membros terem votado a favor do nome de Bolton, contra oito votos contrários. A ausência de uma recomendação favorável foi resultado da pressão do senador republicano George Voinovich, que criticou a escolha de Bolton, indicado pelo presidente George W. Bush. O resultado acabou sendo uma derrota da Casa Branca. Voinovich disse que votou a favor de Bolton na comissão somente para dar chance para que a decisão ocorresse no plenário do Senado, onde os republicanos têm 55 das 100 cadeiras. Mas afirmou que no plenário votará contra o indicado de Bush. Ele disse que não acredita que Bolton seja a pessoa certa para o cargo. "Os Estados Unidos podem ter alguém melhor do que John Bolton", afirmou durante as cinco horas de debates que antecederam a votação. A Casa Branca reagiu. "Respeitamos a decisão do senador Voinovich, mas há muitas pessoas que concordam com o presidente que John Bolton é a pessoa certa no momento certo para este importante cargo", disse o porta-voz do presidente Bush, Scott McClellan. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, disse que estava satisfeita que a comissão tenha aprovado Bolton. "Eu indiquei John para esta posição crítica porque ele tem as qualificações e a dedicação necessária para levar adiante a agenda de reformas do presidente para a ONU", afirmou. São necessários apenas 51 votos para aprovar a nomeação de Bolton, mas os republicanos precisam de 60 votos para evitar a obstrução planejada pelos democratas para adiar a votação. Na Comissão das Relações Exteriores, o voto seguiu a linha partidária: todos os republicanos votaram a favor e todos os democratas contra. Foi a terceira vez que a Comissão de Relações Exteriores do Senado se reuniu para discutir a confirmação de Bolton desde a indicação pelo presidente Bush no início de março. A votação anterior foi adiada justamente porque Voinovich disse que não se sentia preparado para votar a favor de Bolton, o que podia deixar o resultado empatado. Polêmica A indicação de Bolton, um linha dura que atualmente ocupa o cargo de subsecretário para o Controle de Armas e Assuntos de Segurança Internacional do Departamento de Estado, foi a mais polêmica do segundo mandato do presidente Bush. No primeiro mandato, o Senado não aprovou - não houve rejeição, apenas adiamento até que o governo nomeasse outra pessoa - o nome do embaixador Otto Reich para o cargo de subsecretário para Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado. Bolton já deu várias declarações críticas aos organismos internacionais e uma vez disse que se dez andares do prédio da ONU desaparecessem não fariam falta. Bolton defende que os Estados Unidos devem usar de forma mais contundente o poder econômico e militar do país em defesa dos seus interesses. Na sabatina no Senado, no entanto, Bolton disse que a ONU precisa de mudanças e da liderança americana "para se tornar mais eficiente e menos corrupta". O cientista político Riordan Roett, diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental, democrata, acha que Bolton é a escolha errada para o cargo e que vai provocar tensão entre os Estados Unidos e os outros membros do Conselho de Segurança da ONU. "Vai ser um desastre. Ele é um homem bastante instável, não gosta da ONU, não gosta do processo multilateral, não gosta de tratados internacionais. Não entendo como a Casa Branca pode nomear Bolton para este cargo tão importante", diz ele. "Temos muita gente boa, nos dois partidos, mas Bolton é contra o espírito da ONU." Entre as reformas previstas para a ONU está a do Conselho de Segurança. O Brasil gostaria de ver o Conselho ampliado, com um assento permanente para o país. Já o consultor do Departamento de Estado, William Perry, diz que a escolha do presidente Bush deve ser respeitada. "É preciso ser um pouco duro para modificar coisas que precisam de modificação", justifica. Ele diz que Bolton é altamente qualificado e tem a experiência necessária para o cargo. "Está claro que a ONU precisa de reformas e ele é capaz de fazê-las", diz. |
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