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Rádio abre microfone para povo reclamar sobre Equador | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma estação de rádio em Quito, capital do Equador, está deixando o microfone aberto em seu estúdio para que a população possa reclamar sobre a situação política no país. A rádio La Luna, que funciona em um porão, faz esse tipo de transmissão há 11 anos e, nas últimas semanas, incentivou as pessoas a protestarem nas ruas contra o então presidente do país Lúcio Gutiérrez. Ataulfo Tobar, diretor da estação, diz que deu ao povo equatoriano a oportunidade única de dividir suas frustrações com a situação política. "A maioria da mídia no Equador não faz o que fazemos. Eles mantêm o público desinformado. Nós somos jornalistas, não somo líderes políticos. Somos comunicadores, não somos agitadores sociais", afirma o radialista enquanto dezenas de pessoas fazem fila para poder falar no microfone. Celular Tobar conta que deixa o microfone aberto para que "as pessoas saibam a realidade do que está acontecendo". Segundo ele, neste mês, o governo do ex-presidente Lucio Gutiérrez cortou as linhas telefônicas para evitar que o público falasse. "Então demos números de telefones celulares e, porque celulares são tão populares no Equador, as pessoas se tornaram repórteres na rua, ligando e contando o que aconteceu e mandando torpedos com chamadas para os protestos." Funcionou. Milhares de equatorianos foram às ruas. A rádio insiste que foram manifestações pacíficas, embora tenham sido registrados saques em lojas e incêndios em prédios públicos. Mesmo após a destituição de Gutiérrez, a rádio La Luna continua pedindo que as pessoas participem das manifestações. "A sociedade equatoriana não confia na mídia tradicional. La Luna tem sido um catalisador para mudança", disse Bernardo Canizares, um cineasta de 32 anos que estava protestando em frente à Embaixada do Brasil em Quito. Esse tornou-se um dos principais locais de protestos desde que o governo brasileiro ofereceu asilo diplomático a Gutiérrez. Os manifestantes cercaram o prédio e carregam cartazes escritos "Mostra a sua cara, covarde". |
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