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Atualizado às: 23 de abril, 2005 - 01h20 GMT (22h20 Brasília)
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Manifestações dificultam saída de Gutiérrez do país
Manifestantes em frente à residência oficial do embaixador em Quito
Manifestantes também se concentram na residência do embaixador brasileiro em Quito
Manifestantes estão nas embaixadas do Brasil e dos Estados Unidos em Quito, capital do Equador, protestando contra a saída do presidente destituído Lucio Gutiérrez do país.

Gutiérrez está na embaixada brasileira em Quito – onde recebeu asilo diplomático – à espera de um salvo-conduto que lhe permita ser transportado em segurança para o Brasil.

O governo brasileiro, que já concordou em ceder asilo territorial ao líder equatoriano, disponibilizou um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para ir buscá-lo.

Da embaixada, Gutiérrez disse que a sua destituição foi "inconstitucional" e que nunca "abandobou o posto", razão alegada pelo Congresso para lhe cassar o mandato.

O governo equatoriano diz que já concordou em autorizar a saída de Gutiérrez do país, mas aparentemente estaria adiando a emissão do salvo-conduto por causa das manifestações.

"A situação estava caótica durante o dia", disse o ex-vice-presidente do Equador, Blasco Peñaherrera, em Washington, durante a sessão extraordinária realizada pela OEA (Organização dos Estados Americanos) para discutir a situação do Equador.

Peñaherrera disse ainda que respeitava a decisão do Brasil de oferecer proteção ao líder deposto.

“Quero afirmar categoricamente que, no se refere ao ex-presidente Lucio Gutiérrez, lhe foi concedido asilo porque nós respeitamos o ilustre governo do Brasil, que lhe deu asilo, e respeitamos a instituição do asilo político”, disse.

Na manhã desta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que a saída de Gutiérrez do Equador neste momento pode causar uma "convulsão social".

“O que eles (equatorianos) têm dito é que o momento é muito difícil ainda, há muita comoção na rua, e talvez um salvo-conduto poderia provocar uma maior convulsão social, porque é um momento de grande emoção”, relatou Amorim.

“Nós respondemos que a demora também tem um efeito negativo”, acrescentou o ministro. “Essas situações são complexas. Eu espero que a gente consiga uma solução rápida.”

Amorim também confirmou que pretende viajar ao Equador como integrante da missão que a Comunidade Sul-Americana de Nações planeja enviar ao país para ajudar numa solução para a crise política equatoriana.

De acordo com o ministro, a missão sul-americana ainda não tem data para partir rumo a Quito, mas a viagem deve ocorrer logo.

Avião

O chanceler brasileiro também tentou explicar a movimentação do avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que buscaria Gutiérrez no Equador.

Amorim confirmou que o avião decolou de Rio Branco, no Acre, na madrugada desta sexta-feira, mas não recebeu autorização para pousar em Quito.

De acordo com o chanceler, o governo brasileiro tinha a informação de que o salvo-conduto para Gutiérrez seria concedido somente quando o avião chegasse a Quito.

A aeronave se encontra agora em Porto Velho, no Estado de Rondônia, onde aguarda a autorização para buscar Gutiérrez em Quito.

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