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Atualizado às: 22 de abril, 2005 - 11h47 GMT (08h47 Brasília)
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Gutiérrez aguarda salvo-conduto para deixar Equador
O presidente do Equador, Lucio Gutiérrez
Ex-presidente destituído está na embaixada do Brasil em Quito
O ex-presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, destituído do cargo na quarta-feira, aguarda nesta sexta-feira a concessão de salvo-conduto pelas autoridades equatorianas para poder deixar o país rumo ao Brasil.

Ele está na embaixada brasileira em Quito cercado por manifestantes que exigem a sua prisão.

O governo brasileiro concedeu asilo político a Gutiérrez, mas ainda negocia com o novo presidente, Alfredo Palacio, o salvo-conduto para que ele possa sair da embaixada sem ser preso.

Segundo o site da rádio equatoriana CRE Satelital, o novo ministro das Relações Exteriores do Equador, Antonio Parra, confirmou que o governo vai conceder o salvo-conduto.

Parra explicou que a decisão teria sido tomada de acordo com a Convenção Internacional para Asilo Diplomático.

"Claro, o Equador tem que fazer isso", disse Parra, de acordo com o site da rádio equatoriana.

Apesar das declarações do chanceler, outras autoridades equatorianas dizem que o pedido de salvo-conduto ainda está sendo estudado.

Alguns analistas políticos dizem que o novo governo do Equador teme o preço político de autorizar a saída do ex-presidente, já que uma considerável parcela da população quer ver Gutiérrez julgado por suposto abuso de poder.

Avião

Um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) está de prontidão numa base militar de Rio Branco, no Acre, para ir buscar Gutiérrez.

Dezenas de manifestantes no Equador realizam manifestação exigindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conceda o benefício a Gutiérrez, diz a rádio CRE Satelital.

"Lula, amigo, não lhe dê asilo!", gritam os manifestantes, segundo a emissora.

O Itamaraty anunciou que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, integrará uma missão da Comunidade Sul-Americana de Nações que viajará para o Equador a fim de participar das negociações para a resolução da crise política do país.

A crise, que levou à destituição de Gutiérrez, começou com a reestruturação da Suprema Corte, em dezembro.

Os partidos da oposição acusam Gutiérrez, um ex-coronel, de buscar poderes ditatoriais por demitir os juízes do tribunal e substituí-los com aliados seus, em dezembro.

Na época, congressistas aliados do presidente Gutiérrez destituíram a Suprema Corte anterior e indicaram novos juízes.

A indicação gerou fortes protestos, que cresceram quando os juízes anularam os processos contra os ex-presidentes equatorianos Abdalá Bucaram e Gustavo Noboa e o ex-vice-presidente Alberto Dahik.

Na última sexta-feira, Gutiérrez anunciou a dissolução do tribunal, provocando novas acusações da oposição.

Gutiérrez, de 48 anos, estava no poder desde janeiro de 2003, após ter sido eleito no ano anterior.

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