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Avião brasileiro que vai buscar Gutiérrez pousa em Porto Velho | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que se prepara para buscar em Quito o presidente destituído do Equador, Lucio Gutiérrez, decolou do aeroporto de Rio Branco, no Acre, e pousou em Porto Velho (Rondônia). As autoridades brasileiras aguardam autorização do governo do Equador para que o avião possa entrar em seu espaço aéreo. De acordo com vários relatos na mídia brasileira, o avião partiu com destino a Quito, mas acabou voltando para o Brasil depois de ter negado o pedido para pousar no Equador. Os relatos chegaram a dizer que o avião sobrevoou o Equador. A Aeronáutica anunciou, no entanto, que o vôo não tinha como objetivo pousar no Equador. Segundo os militares brasileiros, o avião deixou o aeroporto civil de Rio Branco e seguiu para Rondônia porque lá ele está em uma base militar com "melhores condições de apoio e infra-estrutura". Salvo-conduto Gutiérrez, destituído do cargo na quarta-feira, aguarda nesta sexta-feira a concessão de um salvo-conduto pelas autoridades equatorianas para poder deixar o país rumo ao Brasil. Ele está na embaixada brasileira em Quito cercado por manifestantes que exigem a sua prisão. O governo brasileiro concedeu asilo político a Gutiérrez, mas ainda negocia com o novo presidente, Alfredo Palacio, o salvo-conduto para que ele possa sair da embaixada sem ser preso. Segundo o site da rádio equatoriana CRE Satelital, o novo ministro das Relações Exteriores do Equador, Antonio Parra, confirmou que o governo vai conceder o salvo-conduto. Parra explicou que a decisão teria sido tomada de acordo com a Convenção Internacional para Asilo Diplomático. "Claro, o Equador tem que fazer isso", disse Parra, de acordo com o site da rádio equatoriana. Apesar das declarações do chanceler, outras autoridades equatorianas dizem que o pedido de salvo-conduto ainda está sendo estudado. Preço político Alguns analistas políticos dizem que o novo governo do Equador teme o preço político de autorizar a saída do ex-presidente, já que uma considerável parcela da população quer ver Gutiérrez julgado por suposto abuso de poder. Dezenas de manifestantes no Equador realizam manifestação exigindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conceda o benefício a Gutiérrez, diz a rádio CRE Satelital. "Lula, amigo, não lhe dê asilo!", gritam os manifestantes, segundo a emissora. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, integrará uma missão da Comunidade Sul-Americana de Nações que viajará para o Equador a fim de participar das negociações para a resolução da crise política do país. A crise, que levou à destituição de Gutiérrez, começou com a reestruturação da Suprema Corte, em dezembro. Os partidos da oposição acusam Gutiérrez, um ex-coronel, de buscar poderes ditatoriais por demitir os juízes do tribunal e substituí-los com aliados seus, em dezembro. Na época, congressistas aliados do presidente Gutiérrez destituíram a Suprema Corte anterior e indicaram novos juízes. A indicação gerou fortes protestos, que cresceram quando os juízes anularam os processos contra os ex-presidentes equatorianos Abdalá Bucaram e Gustavo Noboa e o ex-vice-presidente Alberto Dahik. Na última sexta-feira, Gutiérrez anunciou a dissolução do tribunal, provocando novas acusações da oposição. Gutiérrez, de 48 anos, estava no poder desde janeiro de 2003, após ter sido eleito no ano anterior. |
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