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Lula diz que vai a Roma para funeral de papa ‘operário’ | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado, durante um pronunciamento em Brasília, que vai comparecer ao funeral do papa João Paulo 2º no Vaticano. “Eu certamente irei a Roma, no enterro do papa”, disse Lula. “Vamos esperar apenas que o Vaticano marque a data do enterro.” “Eu penso que é o mínimo que um operário pode fazer por outro operário: é prestar essa homenagem a um homem que simbolizou tanto a minha época”, acrescentou. Durante o pronunciamento, o presidente também elogiou repetidas vezes a “coragem” e a “dedicação” de João Paulo 2º. “Penso que a humanidade perde hoje mais do que um papa, perde um símbolo da paz”, afirmou Lula. Dívida de gratidão Além dos elogios ao papa, o presidente também recordou os encontros que teve com o pontífice, em especial o primeiro deles, na primeira visita de João Paulo 2º ao Brasil. “Todos vocês sabem que eu tenho uma dívida de gratidão com o papa na vinda dele, em 1980, ao Brasil”, disse Lula. “Nós, os metalúrgicos, estávamos cassados e estivemos em um encontro do papa com os operários no Morumbi.” “Ele fez questão de receber parte da direção (do sindicato), que estava cassada, e não foi uma tarefa fácil porque, naquele tempo, os militares que tomavam conta da segurança do papa não queriam que nós entrássemos”, lembrou o presidente. Questionado sobre a sua opinião quanto ao processo de sucessão de João Paulo 2º, Lula sorriu e disse: “Eu gostaria que ele (o novo papa) fosse brasileiro.” “Eu tenho tantos amigos que são cardeais no Brasil que eu ficaria muito feliz se um deles fosse escolhido.” Em seguida, o presidente voltou a adotar um tom mais formal e disse que a escolha do novo papa “é um problema da Igreja Católica”. “Eu espero que a Igreja escolha um papa que tenha uma dimensão social muito grande, que esteja preocupado em combater a miséria e as injustiças do mundo”, afirmou. “Se isso acontecer, eu já estarei feliz porque certamente terei um aliado na luta contra a fome", concluiu. Orfandade A morte do papa João Paulo 2º também foi recebida com muito pesar por dois dos mais importantes representantes da Igreja Católica no Brasil. “Nós sentimos vivamente como uma orfandade, assim como na família acontece quando morre o pai”, disse d. Geraldo Majella Agnelo, presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). “Nós sentimos, e sabemos que a vida continua”, acrescentou. O tom das palavras do arcebispo de São Paulo, d. Cláudio Hummes, foi o mesmo. “Eu me sinto como quem perdeu um pai, um amigo, um irmão, um orientador muito sábio, que sempre escutava seus bispos”, disse o cardeal. “Por outro lado, nós louvamos a Deus também porque ele cumpriu a sua missão.” Considerado um dos possíveis sucessores de João Paulo 2º, d. Cláudio evitou comentar a possibilidade de assumir o posto. Além do arcebispo de São Paulo e do presidente da CNBB, outros dois brasileiros devem fazer parte do grupo de cardeais que escolherá, no Vaticano, o próximo papa. |
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