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Atualizado às: 02 de abril, 2005 - 20h53 GMT (17h53 Brasília)
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Eleição de papa polônes pegou mundo de surpresa
O papa João Paulo 2º na Irlanda, em 1979
João Paulo 2º visitou 120 países e esteve três vezes no Brasil
A eleição do polonês Karol Wojtyla como papa em 1978 surpreendeu o mundo católico.

Nenhum especialista esperava que o arcebispo de Cracóvia, de 58 anos, pudesse ser escolhido para o cargo mais alto da Igreja Católica.

A sua posição dura em relação ao regime comunista da Polônia lhe conferiu respeito. Mas ele não era parte do círculo íntimo do Vaticano e, acima de tudo, ele não era italiano.

Eleito papa, o polonês se tornou um dos rostos mais conhecidos do mundo. Sua odisséia abrangeu mais de 120 países, e ele conquistou a reputação de combatente internacional da liberdade.

Teólogo às escondidas

O mais jovem papa do século 20 nasceu perto de Cracóvia, em 1920. Quando jovem, era muito bom nos esportes, principalmente no futebol e no esqui.

Wojtyla também tinha um grande amor pelo teatro e chegou a pensar seriamente em se tornar ator.

Ele começou a estudar teologia em 1942, ainda durante a Segunda Guerra Mundial e a ocupação nazista da Polônia. Em 1944, foi forçado a se esconder em meio a uma onda de repressão ao ensinamento religioso.

O jovem Wojtyla continuou seus estudos depois da guerra e foi ordenado padre em 1946.

Sua ascensão foi rápida, e em 1964 já era arcebispo da cidade. Três anos depois, tornava-se cardeal.

Durante todo esse tempo, ele era visto em Roma com freqüência, mas não mais do que outras dezenas de cardeais de dioceses distantes e obscuras.

Três papas

Em 1978, o papa Paulo 6º morreu, aos 80 anos de idade.

Seu sucessor, o cardeal Albino Luciani, eleito em um dia, levou o nome de João Paulo, em homenagem a seus dois antecessores.

Apenas 33 dias depois, ele também morreu.

Mais uma vez, o Colégio de Cardeais levou adiante o tradicional ritual de eleição papal na Capela Sistina.

Depois de dois dias de deliberação, Karol Wojtyla foi escolhido para ocupar o trono de São Pedro.

Assumindo o nome de João Paulo 2º, o jovem pontífice inaugurou uma nova era nos assuntos católicos.

Ele era dinâmico e acessível, um líder rapidamente reconhecível para a maior comunidade cristã do mundo.

Mas a sua insistência em se aproximar das multidões quase o levou à morte em maio de 1981.

Ao gesticular do chamado "papamóvel" na Praça de São Pedro, ele foi baleado por um turco e ficou gravemente ferido.

Depois de uma longa recuperação, João Paulo 2º visitou e perdoou aquele poderia ter sido o seu assassino.

Comunismo

Com a queda do bloco soviético, mudaram as relações entre o Kremlin e o Vaticano.

Em 1989, Mikhail Gorbatchev visitou Roma, na primeira vez em que um líder soviético passou pela Praça de São Pedro.

"O papa é a autoridade moral proeminente do mundo. Mas ele ainda assim é um eslavo", disse ele à mulher, Raisa.

O colapso do comunismo coincidiu com demandas crescentes no Ocidente por um acordo sobre o ensino religioso.

Os católicos americanos viram o papa rejeitar todos os apelos para uma mudança no ensinamento moral.

Ao rejeitar constantemente esses pedidos, João Paulo 2º encerrou o debate antes de ele começar.

Enquanto exigia uma ação para combater a fome mundial, insistia que a contracepção era moralmente inaceitável.

João Paulo 2º dizia que queria melhorar a situação das mulheres e ao mesmo tempo escrevia que a maternidade deveria ser uma aspiração natural das mulheres.

Para o horror dos defensores dos direitos dos gays, o papa dizia ter pena de homossexuais.

Viagens

As viagens de João Paulo 2º foram uma das marcas do seu papado.

Das mais de cem viagens internacionais que realizou, três foram para o Brasil.

A primeira aconteceu em junho de 1980. Foram 12 dias, durante os quais o papa fez 51 discursos. Ele passou por Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Aparecida do Norte (SP), entre outras.

Em 1991, João Paulo 2º passou outros dez dias no Brasil, nos quais fez 31 discursos.

A sua última visita aconteceu em 1997 e durou quatro dias. Cerca de 2 milhões de pessoas participaram da missa celebrada pelo papa no Aterro do Flamengo, na zona sul do Rio. A missa durou quase três horas.

Nesta última visita, o papa condenou o aborto, o divórcio e o uso de anticoncepcionais, além de participar do 2º Encontro Mundial do Papa com as Famílias.

O papa também fez uma rápida passagem pelo Brasil em 1982, em uma escala técnica de seu vôo para a Argentina.

Últimos anos

Apesar da deterioração da sua saúde nos últimos anos, as viagens continuaram: para Cuba, Nigéria, ex-repúblicas iugoslavas e para a Terra Santa, cada um desses lugares com os seus problemas políticos e religiosos.

Em 2002, o papa fez uma visita emocional e nostálgica a sua terra natal, voando sobre o local de seu nascimento em Wadowice e visitando os túmulos de seus pais e irmão em Cracóvia.

Mais uma vez, vastas multidões apareceram para ver o homem que muitos poloneses consideravam um santo vivo e que, eles acreditam, teve um papel vital na queda do comunismo.

O reinado de João Paulo 2º também coincidiu com outras mudanças radicais no mundo, inclusive o aumento da dívida do Terceiro Mundo e a emergência da Aids.

E ele teve que lidar com os escândalos de abuso sexual que atingiram a Igreja Católica nos últimos anos.

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