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Atualizado às: 02 de abril, 2005 - 20h53 GMT (17h53 Brasília)
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Papa defendeu justiça social, mas desafiou liberais
João Paulo 2º
Papa se fez campanha para o perdão da dívida dos países pobres
O papa João Paulo 2º não apenas ajudou a minar o comunismo no Leste Europeu como também voltou as suas atenções para as mazelas do capitalismo e o consumismo do Ocidente.

Sob sua liderança, o Vaticano teve um papel de destaque em campanhas pelo perdão da dívida dos países pobres.

Apesar de calar representantes da Teologia da Libertação – Leonardo Boff e Pedro Casaldáliga, no Brasil – o papa pediu que o crescimento econômico fosse baseado na justiça social.

Questões morais causaram mais polêmica. O papa condenou o aborto, a inseminação artificial, o uso de preservativos e a ordenação de mulheres.

Teologia da libertação

Durante visita ao Sudão, um dos países mais pobres do mundo, em 1993, João Paulo 2º disse que as transformações exigem "novas estruturas para as organizações políticas e econômicas, estruturas que respeitem verdadeiramente a dignidade e os direitos humanos".

Por outro lado, o papa não tolerou posições mais liberais assumidas pelos seguidores da chamada Teologia da Libertação, que prega a necessidade de acabar com a opressão econômica na Terra, e não esperar pela felicidade no Paraíso.

O movimento tem colorações marxistas que assustaram a Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga Inquisição.

Na década de 80, o teólogo brasileiro Leonardo Boff recebeu ordem para se calar e o espanhol dom Pedro Casaldáliga, bispo de São Félix do Araguaia, recebeu uma advertência.

Mas o próprio Casaldáliga acredita que a Igreja reconsiderou sua posição.

"Hoje há documentos do próprio Vaticano, de outros episcopados, de pastorais, não só da América Latina como do mundo inteiro, que têm o espírito da teologia da libertação. Falar hoje da opção pelos pobres já é uma expressão habitual", afirmou o bispo.

O cardeal emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, diz considerar normal a reação inicial contra a Teologia da Libertação.

"Quando surge um movimento novo como a teologia da libertação, que é certamente um movimento que vem de baixo para cima, parece para a Igreja um perigo", disse Arns.

"No entanto é para a Igreja uma abertura e uma comunicação indispensável com o povo e isso foi reconhecido pelo papa em uma carta que ele dirigiu à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dizendo que a Teologia da Libertação era uma teologia útil e necessária para o nosso tempo e que seria bom que ela entrasse na corrente da evolução teológica", concluiu o cardeal emérito de São Paulo.

Jovens

João Paulo 2º tentou atrair os jovens para a Igreja, marcando presença na internet e gravando o Rosário em um CD.

Ao mesmo tempo, ele deixou claro que a Igreja não podia ser uma democracia no sentido secular, e não cabia à instituição se adaptar à sociedade moderna. Pelo contrário, a sociedade é que teria que seguir os caminhos indicados pela Igreja.

Um desses caminhos era a condenação do aborto.

"Nós não podemos esquecer jamais que cada pessoa – do momento da concepção ao último suspiro – é um filho de Deus e tem direito à vida", disse João Paulo 2º em uma ocasião.

Ecumenismo

Embora não tenha demonstrado muita tolerância com divergências dentro da Igreja, João Paulo 2º promoveu uma aproximação ecumênica sem precedentes, marcando a passagem do milênio com uma visita a Israel.

Por ocasião da visita, o papa rezou pelo perdão dos pecados da Igreja no passado – a perseguição e o ódio aos judeus e a omissão durante o Holocausto promovido pelos nazistas.

"A decisão do papa de pedir perdão ao povo judeu foi corajosa. Eu diria que foi até revolucionária, em um mundo dominado pelo triunfalismo ideológico e político. Todos os pedidos de perdão do papa foram sinais de humildade e força espiritual", disse o rabino Henri Sobel.

"Em quase todos os locais que visitou ele fez questão de se encontrar com líderes de outras religiões. É raro um papa se dedicar tanto ao fortalecimento do diálogo inter-religioso."

Mas o papa também buscou uma ponte com o mundo islâmico. Ele visitou os cristãos no Egito e se encontrou com o líder palestino Yasser Arafat.

O papa causou polêmica ao dizer que o povo palestino "tem o direito natural a uma pátria e o direito de poder viver em paz e tranquilidade com os outros povos da área".

Beatos e santos

O espírito ecumênico não impediu que João Paulo 2º beatificasse o papa Pio 12, considerado por muitos autocrático e anti-semita.

Pio 12 foi acusado de ter confinado os judeus a guetos, em Roma, durante a Segunda Guerra.

Em contrapartida, o Vaticano beatificou João 23, que liderou a Igreja entre 1958 e 1963 e foi amplamente visto como um progressista.

João 23 e muitos outros, em várias partes do mundo: 122 mártires da Guerra Civil Espanhola, o último czar russo e sua família, mártires e missionários chineses e brasileiros.

Foram mais de 1,2 mil beatificações e quase 500 santificações nos mais de 20 anos de papado.

O papa João Paulo 2º anunciou a canonização de madre Paulina, a primeira santa do Brasil, maior país católico do mundo.

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