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Atualizado às: 22 de março, 2005 - 23h19 GMT (20h19 Brasília)
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FMI elogia Brasil na última revisão de acordo

Anne Krueger
Krueger elogiou política econômica, mas disse que reformas devem seguir
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o desempenho do Brasil na revisão do acordo com a instituição e disse que a vulnerabilidade do país está diminuindo como resultado das políticas adotadas pelo governo.

“O sentimento do mercado é muito positivo: o risco país caiu para níveis recordes, o real subiu nos últimos meses e um forte fluxo de capital permitiu ao Banco Central recompor as reservas” afirmou a primeira diretora-gerente do Fundo, Anne Krueger na reunião de avaliação do desempenho brasileiro.

“Além disso, o governo já tem os recursos para 75% dos US$ 6 bilhões que vai pagar em 2005”, disse Krueger, acrecentando que “a política monetária continuou apropriadamente cautelosa”.

Reformas

Krueger também considerou “uma conquista substancial” a redução da inflação para dentro da meta no ano passado e “prudente” a política monetária do Banco Central, que vem aumentando a taxa de juros nos últimos meses.

Mas ela disse que, para aumentar o potencial de crescimento da economia e reduzir a pobreza e desigualdade, o Brasil deve continuar com as reformas estruturais.

“O contexto atual oferece uma oportunidade favorável para avançar em outras reformas prioritárias, incluindo medidas para promover a intermediação bancária, aumentar a flexibilidade do orçamento, atacar o desequilíbrio no sistema de pensões e reduzir a informalidade no mercado de trabalho e as barreiras administrativas que dificultam a vida das empresas”, afirma Krueger.

Os diretores do FMI aprovaram nesta segunda-feira as contas do país na décima e última revisão do acordo fechado em setembro de 2000 e ampliado em dezembro de 2003.

Nesta última revisão, o banco liberou uma parcela de US$ 1,39 bilhão, que não deve ser sacada pelo governo brasileiro.

Desde dezembro de 2003, o total de recursos colocados à disposição pelo FMI soma US$ 14,1 bilhões, mas o Brasil não fez nenhum saque desde setembro daquele ano.

O atual programa acaba no dia 31 deste mês. O governo brasileiro ainda não informou o Fundo oficialmente, mas vem dando indicações de que não vai renovar o acordo.

Apesar de não ter feito saques nos últimos 18 meses, o Brasil é o maior devedor do Fundo, com uma dívida de US$ 24,6 bilhões.

Superávit

O FMI disse ainda que a manutenção de um elevado superávit primário permitiu que o Brasil reduzisse fortemente o peso da dívida e que, se continuar a conter gastos não prioritários em 2005, terá mais recursos para reduzir mais a dívida e aumentar os gastos em projetos de infra-estrutura.

Krueger também disse que é “encorajador” o progresso feito no projeto-piloto para selecionar e monitorar investimentos públicos.

O Fundo disse que o Brasil atendeu todos os critérios estabelecidos no acordo.

“O histórico de implementação do programa, junto com a contínua busca de políticas macroeconômicas sólidas e forte progresso nas reformas estruturais, está claramente valendo a pena”, afirmou Krueger.

Ela cita o crescimento econômico de 5,2% no ano passado, o maior em dez anos, o aumento dos investimentos produtivos e o crescimento das exportações como sinais de que a economia brasileira está indo bem.

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