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Brasil pode conseguir extensão de prazo no FMI, diz ex-diretor | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O economista Michael Mussa, pesquisador sênior do Instituto de Economia Internacional (IEI) e ex-diretor do departamento de pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), diz que o Brasil tem todas as condições para negociar um acordo com o Fundo, incluindo uma prorrogação no prazo de pagamento das obrigações que vencem nos próximos anos. Ele destaca que, apesar de ainda não se saber se o Brasil quer renovar o acordo com o FMI e embora o país tenha atualmente reservas e superávit nas contas externas suficientes para pagar a dívida, uma extensão de prazo seria positivo. “Como a dívida a vencer nos próximos anos é bastante grande, é possível que se faça um programa para alongar o pagamento”, afirmou Mussa em entrevista à BBC Brasil. O Brasil é atualmente o maior devedor do Fundo, com uma dívida de US$ 24,6 bilhões, apesar de não ter sacado os recursos do programa atual. Reformas “As políticas macroeconômicas brasileiras são suficientemente fortes para bancar um programa do Fundo e é muito pouco provável que o FMI vá insistir num programa de reformas estruturais que seja um peso para o governo brasileiro”, disse ele. A economia brasileira “está indo muito bem” na avaliação de Mussa e, por isso, se o Brasil quiser a renovação do programa, não deve ter problemas em conseguir um novo acordo. Já a Argentina, que na segunda-feira recomeçou a conversar com o Fundo depois da suspensão do acordo em agosto do ano passado, vive uma situação diferente, na avaliação do economista. “Com a Argentina, além da dívida, há vários assuntos que ainda precisam ser resolvidos”, diz ele. “Um deles é o que fazer com os credores privados que não aceitaram a troca da dívida em moratória por novos papéis, com o equivalente a 30% do valor.” Acordo “A troca (da dívida) foi oficialmente considerada “bem sucedida”, o que dá as bases pelo menos para recomeçar a conversar, mas acho que vai demorar um tempo até que se tenha um acordo”, afirmou o economista. Os primeiros contatos foram feitos pelo ministro da Economia argentino na viagem desta semana a Washington, onde ele se encontrou com o diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato, com o secretário do Tesouro americano, John Snow, e com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias. Mussa diz que a aceitação total de 76% por parte dos credores esconde a situação dos investidores estrangeiros. “Entre os estrangeiros a aceitação foi de apenas metade e acho que qualquer acordo com o FMI vai ter que incluir uma indicação de que a Argentina está disposta a se comprometer a negociar com os que não aceitaram a proposta”, afirmou. Os US$ 20 bilhões nas mãos dos investidores que não aceitaram a proposta argentina de troca dos títulos em moratória devem dar origem a ações judiciais tanto na Europa como nos Estados Unidos e, na avaliação de Mussa, aumentar a pressão principalmente dos governos europeus para uma nova negociação. Mussa diz que ainda é cedo para avaliar se a estratégia argentina foi bem sucedida, porque apesar do crescimento econômico nos últimos anos, o país não conseguiria hoje em dia fazer uma nova emissão de títulos no mercado internacional. “Ainda temos que esperar uns três ou quatro anos para saber se a Argentina vai conseguir restabelecer seus papéis de dívida soberana e fazer novas captações no mercado”. |
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