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Argentina anuncia adesão de 76,07% à troca da dívida | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Diante do presidente argentino, Néstor Kirchner, e de todos seus ministros, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, anunciou, no início da noite desta quinta-feira, que chegou a 76,07% o total de aceitação à troca de 152 títulos da dívida argentina em moratória, desde dezembro de 2001, por outros três novos papéis. A operação foi realizada nos primeiros dois meses deste ano e, segundo o ministro, representa US$ 67 bilhões de um total de US$ 80,8 bilhões daquela dívida que não vinha sendo paga. Segundo Lavagna, os novos papéis a serem emitidos serão no valor de US$ 35 bilhões. "Esses números mostram que estamos poupando dnheiro do Estado", disse Lavagna. "Antes, a relaçao dívida/Produto Interno Bruto era de 113%, e agora é de 70%", afirmou. O total da dívida restante argentina passa a ser de US$ 125 bilhões. Para ele, a "explosão da dívida argentina" ocorreu por culpa do regime de conversibilidade, quando o peso era atrelado ao dólar, nos anos 90. "Em três décadas, a dívida pública argentina saltou de US$ 8 bilhões para US$ 144 bilhões", informou o ministro. 'Sereia' "O crescimento da dívida durante a conversibilidade foi alto, e a saída dele também teve um custo altíssimo. Até a conversibilidade, a dívida era de US$ 140 bilhões e sair dela levou essa dívida para US$ 191 bilhões, já que tivemos que pagar o preço de medidas como o pagamento do corralito (bloqueio dos depósitos, implementada pelo ex-ministro da Economia Domingo Cavallo)." Segundo ele, a política do governo Kirchner é "livrar-se da dívida" e o objetivo é não emitir mais dívidas. "Vão tentar nos seduzir, dos mercados, com cantos de sereia. Mas resistiremos porque não queremos mais dívidas", disse. O anúncio de Lavagna, sob olhar atento de Kirchner, foi feito, durante cerimônia na Casa Rosada, e seis dias após o encerramento da troca de títulos, que terminou na sexta-feira anterior. Na platéia, estavam empresários, governadores, legisladores, sindicalistas e embaixadores. Nas últimas horas, logo depois de saber que a adesão tinha superado as expectativas, Néstor Kirchner comemorou ao falar num palanque, no interior do país. 'Inferno' "Foi o maior desconto da história", disse referindo-se aos cerca de 70% de redução do total a ser pago aos que investiram nos bônus do país. Depois, numa entrevista a uma emissora de rádio local, ressaltou: "Mas o país ainda não saiu do inferno". De acordo com analistas, a Argentina tem agora três desafios pela frente. Restabelecer as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), suspensas desde agosto do ano passado. Desde então, o governo vem pagando, regularmente, os vencimentos dessa dívida, mas sem a revisão das metas exigidas pelo Fundo. Combater a inflação, que nos últimos dois meses acumula alta de 2,4%. E reduzir a pobreza gerada depois da moratória e da desvalorização do peso, em 2002. Roberto Lavagna, aplaudido ao falar na Casa Rosada, embarca para Washington domingo para reunião com o diretor-gerente do FMI, Rodrigo de Rato. Ao falar, logo depois de Lavagna, o presidente Néstor Kirchner voltou a fazer fortes críticas aos economistas argentinos e estrangeiros que apostaram que a troca de títulos da dívida seria um fracasso. 'Caos' Ele citou frases textuais de cada um e disse: "A Argentina está mudando, não está mais improvisando e está assumindo os erros da sua história. E os gurus que apostaram no caos devem saber disso". Kirchner disse ainda que um país não deve seguir fórmulas mágicas que podem ter dado certo em outros lugares. "A saída da moratória mostra que podemos resolver os nossos próprios problemas e com soluções argentinas. E o prestígio do país voltará quando tivermos mais empregos e mais igualdade social." O presidente argentino disse que não é hora para "triunfalismo", mas reconheceu que a adesão à troca de títulos foi maior que a esperada. "Ainda estamos no próprio inferno. Isso porque ainda temos problemas sociais graves, fruto daquela crise (de 2001)." |
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