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Bolsa argentina sobe com adesão a troca de papéis | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O mercado financeiro argentino comemorou com euforia o índice de adesão final à troca de 153 títulos da dívida em moratória, no valor de US$ 81,8 bilhões, desde dezembro de 2001. O índice Merval da Bolsa de Buenos Aires subiu 4,62%, atingindo a marca recorde dos 1600 pontos. O resultado ocorreu pouco antes de o presidente da Caixa de Valores, Luis Corsiglia, anunciar, no início da noite desta sexta-feira, que chegou a 97% a aceitação dos argentinos à oferta oficial, que reduziu em até 75% o valor daqueles títulos substituídos por três novos papéis em diferentes moedas. Os números completos, incluindo os fundos de investimentos e pessoas físicas no exterior, só deverão ser conhecidos na próxima quinta-feira. Mas, segundo Corsiglia, seria de pelo menos 70% no mercado global. Apesar dos resultados, três analistas ouvidos pela BBC Brasil afirmaram que a moratória não foi um bom negócio para a Argentina, já que, somada à desvalorização do peso, deixou seqüelas como a pobreza e a falta de credibilidade dos investidores internacionais no país. Além disso, afirmaram, a lista de desafios que a Argentina tem pela frente não é nada fácil, mesmo depois de ter fechado o capítulo da moratória – a maior da história do capitalismo. "A troca de papéis realmente superou todas as expectativas e o clima de otimismo do momento foi possível graças à queda das taxas de juros dos Estados Unidos e da queda do risco país dos países emergentes, incluindo o Brasil”, disse o economista Fausto Sportono, da consultoria Delphos Investment. "Mas daqui para frente a Argentina ainda tem vários desafios. A negociação com o FMI (Fundo Monetário Internacional), por exemplo, vai ser mais complicada e o organismo deverá exigir reformas estruturais que há tempos vem pedindo ao país, como as leis trabalhistas e a distribuição dos impostos federais e provinciais, chamado de co-participação federal." Pobreza Para o economista Ernesto Kritz, da Sel Consultores, o maior desafio será reduzir a pobreza que atinge 40% da população. O índice já representa um avanço em relação ao auge da crise política e econômica, há três anos, quando metade dos argentinos vivia na pobreza, mas Kritz diz o que país, que recuperou 8,8% do seu PIB (Produto Interno Bruto) nos últimos dois anos, terá de manter uma taxa de crescimento alta para voltar aos índices sociais anteriores à crise. "Será necessária uma década de crescimento sustentável, entre 4,5% e 5%", estimou. Na opinião do economista Julio Piekarz, da consultoria IBCP, a Argentina vai precisar, principalmente, resgatar sua credibilidade internacional. E só assim estará se habilitando para voltar a receber investimentos externos de longo prazo. "Depois da crise, os investimentos ficaram em 18% do PIB. Mas precisamos que esse índice chegue pelo menos a 22%. Assim, e com crescimento anual de 4,5% a 5,5%, a partir de 2006, poderemos recuperar aquela etapa de estancamento”, disse Pierkaz. Ele lembrou que com a recuperação econômica registrada nos dois últimos anos, a Argentina voltou aos níveis de atividade de 1998 e que a expectativa é de que situação continuará melhorando com um crescimento estimado para este ano de cerca de 7%. Para Pierkarz, outros dois itens que deverão estar na pauta de prioridades do governo, nessa era pós-moratória, são o controle da inflação e a renegociação dos contratos das empresas privatizadas, exigência do FMI. A relação da Argentina com o Fundo está suspensa desde agosto passado, quando o governo do presidente Nestor Kirchner pediu um tempo para continuar pagando os vencimentos ao organismo multilateral de crédito, mas sem ser obrigado a cumprir as metas exigidas. Agora, espera-se por esse encontro que ainda não tem data marcada. A Argentina deverá pagar neste ano cerca de US$ 5,6 bilhões aos organismos de crédito - FMI, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial (Bird). Mas como tem reservas de US$ 20 bilhões no Banco Central, os economistas Julio Pierkarz e Fausto Sportorno não vêem nisso um problema. A preocupação maior, com maior quantidade de vencimentos, está concentrada em 2006. Mas para os dois, essa não é questão de números, mas de esforço para mostrar que é um país que “honra seus compromissos” e é capaz de receber os investimentos internacionais de volta. |
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