BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 11 de março, 2005 - 09h21 GMT (06h21 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Diplomacia americana entra em fase de concessões táticas

George W. Bush
O presidente americano parece estar investindo na diplomacia
George W. Bush está cumprindo em política externa o que prometeu para este começo de segundo mandato.

O presidente americano está investindo na diplomacia, consultando mais os aliados e escutando.

Há uma percepção mais sofisticada das nuances das relações internacionais, uma preocupação em não se vangloriar das vitórias (como o aquecimento de uma marcha da democracia no Oriente Médio) e um reconhecimento da necessidade de concessões táticas.

Por exemplo, na sua edição de quinta-feira, o jornal New York Times revela que o governo Bush estaria alterando com relutância a maneira de lidar com o grupo xiita libanês Hezbollah.

Após anos de campanha contra uma organização definida por Washington como "terrorista", a Casa Branca parece aceitar a visão da França e das Nações Unidas para conduzir o Hezbollah para o centro institucional da vida política libanesa.

Prioridade

A manifestação-gigante pró-Síria promovida pelo Hezbollah esta semana em Beirute – maior do que os protestos de oposição – comprovou o peso do grupo, o mais organizado no cenário libanês.

A idéia, portanto, seria antagonizar menos o Hezbollah, no momento, em nome do objetivo prioritário dos americanos no Líbano, que é forçar a retirada das tropas sírias do pais.

Obviamente não está na agenda de Bush a idéia de reconhecer ou legitimar o Hezbollah, e o porta-voz da Casa Branca inclusive negou a versão do New York Times.

Mas existe o empenho para tentar minimizar a desconfiança que a minoria xiita no Líbano nutre em relação aos gestos de solidariedade dos EUA à chamada "revolução dos cedros".

Existe a constatação em Washington de que uma marcha pela democracia no Oriente Médio é tortuosa e que não convém a desestabilização do Líbano, onde o Hezbollah é uma força indiscutível.

Incentivos

Lances mais sutis do governo Bush também são patentes na crise nuclear do Irã.

Bush tenta pela primeira vez arquitetar uma estratégia conjunta com os europeus.

Como parte do plano, Washington insiste em um prazo – talvez junho – para que os negociadores de França, Alemanha e Grã-Bretanha convençam o governo iraniano a abrir mão do enriquecimento de urânio e outras atividades que possam levar à produção de armas nucleares.

Em uma reversão de posições anteriores, os americanos até topariam oferecer alguns incentivos e não apenas ameaças para o Irã abrir mão do seu programa nuclear.

Mas se as negociações falharem – como é a expectativa da Casa Branca – haveria um firme compromisso dos europeus de se mobilizarem pela aprovação de sanções da ONU contra Teerã.

Concessões táticas não significam o abandono de objetivos estratégicos ou da visão de mundo de Bush.

Cadência

Alianças multilaterais valem quando convém aos EUA e segue valendo uma "postura muscular" no jogo político.

E concessões táticas também são feitas à direita do presidente.

A diplomacia com Condoleezza Rice já se revelou mais cadenciada, realista e efetiva.

A secretária de Estado se cercou de assessores conhecidos por um desempenho duro, porém, pragmático.

Aos neoconservadores mais intransigentes restaram prêmios de consolação, como a indicação de John Bolton para ser o novo embaixador dos EUA na ONU.

Bolton é conhecido por seu desprezo pelo sistema multilateral.

Setores mais liberais receberam com desalento o nome de Bolton, mas é difícil imaginar que seu papel será simplesmente desacreditar a ONU.

Ele não estaria chegando para destruir, mas para pressionar com vigor pela reforma da casa. Afinal, a administração Bush está em fase de reengenharia diplomática.

Em vídeo
Michael Jackson chega atrasado a tribunal da Califórnia.
Refugiada em DarfurDarfur
Veja fotos da região de conflito no oeste do Sudão.
Especial
Leia notícias, reportagens e análises sobre a 'nova China'.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade