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Pobreza aumenta sem abertura de mercados, diz Bird | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Depois de defender – e conseguir – a abertura das economias nos setores industriais e de serviços a partir dos anos 1990, o Banco Mundial (Bird) defende agora a abertura dos mercados agrícolas. Um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo organismo – com sede em Washington – diz que os países em desenvolvimento estão investindo para aumentar sua produtividade agrícola, mas se os países ricos e de renda média não reduzirem a proteção aos seus próprios mercados, o aumento da produtividade vai reduzir os preços internacionais e resultar em mais pobreza, além de aumentar a pressão por mais protecionismo. O documento afirma que a redução da proteção na área agrícola, principalmente dos países desenvolvidos, é fundamental para diminuir a pobreza nos países em desenvolvimento. A proteção, segundo o estudo, é causada não somente pelos subsídios concedidos aos produtores dos países desenvolvidos (principalmente União Européia e Estados Unidos), mas principalmente pelos elevados impostos de importação que vigoram em muitos países. Barreiras “Precisamos fazer na agricultura um processo de abertura como o que fizemos com os produtos industrializados nos anos 90”, disse à BBC Brasil o economista turco Ataman Aksoy, um dos organizadores do estudo, entitulado Comércio Agrícola Mundial e Países em Desenvolvimento. Ele diz que 70% da proteção ao mercado agrícola são originados pelos impostos de importação elevados, praticados também por países em desenvolvimento, e 30% pelos subsídios concedidos pelos países ricos. “Estes assuntos só começaram a ser discutidos há dois ou três anos. Havia muito desconhecimento sobre os malefícios do protecionismo agrícola”, disse Aksoy. Ele diz que grupos como o G-20 – criado por grandes produtores agrícolas como Brasil, Índia e China durante a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, em 2003 – trouxeram a questão para a discussão internacional, mas diz que esse ainda é um fenômeno muito recente. “Agora esta discussão está se tornando mais popular, inclusive no meio intelectual e estou otimista com o rumo que está tomando”, afirmou. “À medida em que as pessoas percebem os danos do protecionismo, começam a concordar que é preciso fazer uma grande reforma no sistema agrícola internacional”, afirma. Pobreza O Banco Mundial vê a redução do protecionismo como uma importante arma no combate à pobreza mundial. “O crescimento na agricultura tem um efeito desproporcional na redução da pobreza, porque mais da metade da população dos países em desenvolvimento vive em áreas rurais, e a pobreza é maior nas áreas rurais”, diz o economista-chefe e vice-presidente sênior do Banco Mundial, François Bourguignon. “Este relatório mostra claramente a necessidade de uma reforma global, coordenada, se queremos ajudar as populações rurais mais pobres.” Ataman Aksoy diz que a reforma geral do sistema pode evitar que as mudanças resultem em “vencedores e perdedores” entre países produtores, importadores e consumidores. Com uma reforma geral, a intenção é que alguns países deixem a produção de algumas commodities e aumentem a produção de outras. Como o próprio Banco Mundial reconhece, a liberalização dos mercados agrícolas é um dos temas mais complexos do comércio internacional, um dos principais obstáculos ao avanço da Rodada Doha de liberalização do comércio da OMC e um dos motivos do fracasso da reunião de Cancún. Desde os anos 90, a tarifa média de importação de produtos agrícolas caiu de 30% para 18%, mas ainda é maior do que a cobrada de produtos industrializados. O estudo também chama a atenção para a crescente redução, nos últimos anos, do superávit comercial agrícola dos países desenvolvidos. Os países pobres exportam mais para países de renda média do que para os países ricos. Os elevados subsídios concedidos especialmente nos Estados Unidos e integrantes da União Européia dificultam a entrada de alguns produtos. Nos Estados Unidos, por exemplos, os subsídios públicos concedidos aos produtores de algodão chega a US$ 4,4 bilhões, num mercado estimado em US$ 20 bilhões. |
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