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Atuação do Brasil pode gerar protecionismo, diz ex-diretor da OMC | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O poder de influência de países em desenvolvimento como o Brasil, a China e a Índia deve trazer à tona tensões que podem provocar uma onda protecionista no comércio mundial. A opinião é do primeiro diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Peter Sutherland, que disse ainda, em entrevista exclusiva à BBC Brasil, esperar que essas novas pressões levem a um fortalecimento da organização. "Isso transforma o reforço da OMC em uma questão de importância vital para proteger o sistema global de comércio, que é a melhor garantia não só para a prosperidade econômica, mas também para a paz global", afirmou Sutherland. O atual presidente do conselho da British Petroleum (BP) e da Goldman Sachs International lidera um grupo de oito especialistas, entre eles o embaixador brasileiro Celso Lafer, encarregados de elaborar o relatório "O Futuro da OMC". O relatório deve propor mudanças no funcionamento da organização, que completa 10 anos em janeiro. Segredo bem guardado Os detalhes do livro estão sendo guardados a sete chaves, e Sutherland – que dirigiu a organização entre 1993 e 1995 – evitou falar sobre qualquer assunto que pudesse antecipar o conteúdo do documento. "Em linhas gerais, posso dizer que acho muito importante que os países-membros da OMC reconheçam que, embora seja bom que se busquem acordos de liberalização regionais, como o Mercosul e a expansão da União Européia, no fim das contas, a instituição vital e supervisora do processo de liberalização global é a OMC." Sutherland também alerta para o perigo de acordos comerciais preferenciais e discriminatórios entre alguns países em detrimento de outros. "Acho que deveríamos continuar a depositar a nossa fé na Organização Mundial do Comércio", resumiu o ex-diretor-geral da OMC. 'Lei da selva' Para Sutherland, dez anos depois de sua criação, a organização se transformou num importante instrumento de defesa dos interesses dos países mais fracos economicamente. "Acho que a OMC desempenha, sim, um papel fundamental, já que um sistema baseado em regras é bastante preferível à lei da selva." Recentemente, o Brasil confirmou a importância desse sistema ao conseguir vitórias decisivas na OMC em questões como os subsídios distribuídos aos produtores de algodão nos Estados Unidos e de açúcar na União Européia. Peter Sutherland também elogiou a atuação do Brasil na OMC nos últimos anos e previu tempos difíceis para os países desenvolvidos. "Os países que mais provavelmente vão rejeitar o sistema baseado em regras no futuro são os do hemisfério norte", concluiu o ex-diretor-geral da instituição. |
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