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Atualizado às: 01 de janeiro, 2005 - 01h30 GMT (23h30 Brasília)
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Fim de quotas no setor têxtil é visto como oportunidade para o Brasil

Tecidos no Vietnã
Brasil não impõe quotas para a importação de produtos têxteis
O fim do sistema mundial de quotas de importação para produtos têxteis e de confecção, que passa a vigorar em 2005, é visto por empresários brasileiros do setor como uma oportunidade para encontrar novos nichos desse mercado no exterior, que, apenas em 2002, movimentou cerca de US$ 350 bilhões.

As quotas garantiam a países pobres que competem com o Brasil o acesso a mercados desenvolvidos. Agora, sem essas restrições para a compra de produtos estrangeiros, os mercados poderão importar o quanto quiserem e de onde quiserem.

As empresas brasileiras, que representam somente 0,4% do mercado têxtil e vestuário mundial, já estão desenvolvendo novas estratégias. É o caso, por exemplo, da Marisol, que está focando na Europa, com planos de abrir um escritório na Itália neste ano.

"O que a Marisol tem feito há alguns anos é tentar agregar valor, temos buscado investimento nas marcas próprias para que tenhamos condições de trabalhar com alguns mercados diferenciados e, principalmente, com produtos têxteis diferenciados. E, com isso, estamos buscando alguns nichos de mercado que acabam sendo menos influenciados por questões de quotas como essa", disse Juliano Donini, diretor da Marisol.

China

A expectativa é que a China, que tem produtos altamente competitivos, domine esse novo cenário que surge em 2005.

Mas, para Almir Bieging, diretor de exportações da Teka, essa invasão chinesa não ocorrerá no curto prazo.

"Até você conquistar um cliente no nível de exportação vai demorar uns seis a oito meses. Quem já está no mercado continuará se sobressaindo e crescendo em cima dele", avaliou.

A Teka também escolheu o mercado europeu para concentrar seus esforços de exportação e pretende investir em novos designs de produtos para agregar valor às suas mercadorias.

Bieging também espera poder entrar com mais força nos Estados Unidos.

"Tínhamos restrição de exportar alguns produtos, principalmente, para o mercado americano. Com o fim das quotas, nós poderemos vender, por exemplo, a quantidade e o tamanho da toalha que quisermos."

Ganhadores e perdedores

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou um relatório, recentemente, indicando quem seriam os ganhadores e perdedores com o fim do sistema de quotas de importação.

Segundo Denis Audet, diretor da OCDE, os mais beneficiados serão os países mais eficientes, ou seja, aqueles que são ao mesmo tempo produtores de matéria-prima, como algodão, que têm uma produção têxtil forte e cujo custo de mão-de-obra é barato. China, Índia e Paquistão são países que teriam esses três elementos.

"Os perdedores serão os países que têm que importar produtos têxteis para exportar suas roupas porque não têm fornecedores domésticos. Aí se encaixam Bangladesh, República Dominicana, Ilhas Maurício, Mongólia, Nepal e Jamaica", disse Audet.

Tecidos na China
Preços devem cair cerca de 15% neste ano

O fim do sistema de quotas não deve causar um grande impacto nas exportações têxteis brasileiras, que não são muito representativas, como diz Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

"A indústria brasileira foi desenvolvida muito mais no conceito de substituição de importação do que no conceito de exportação. O Brasil desenvolveu um grande parque têxtil, o quinto maior do mundo, para abastecer, fundamentalmente, o seu mercado interno. O mercado externo representa 7% ou 8% do faturamento da cadeia têxtil brasileira."

Como o Brasil não impõe quotas para a importação de produtos têxteis e de vestuário, também não se espera que, a curto prazo, o mercado interno seja inundado por produtos estrangeiros, principalmente, da China, como registrado na década de 90.

No entanto, a médio prazo, essa situação pode ser diferente já que aqueles países que perderam suas vendas para os mercados desenvolvidos podem começar a desviar suas produções para o mercado consumidor brasileiro.

O empresariado pretende responder com maior produtividade, redução de custos e o desenvolvimento de produtos.

A Abit prevê que a entrada desses produtos estrangeiros no mercado têxtil e vestuário do Brasil possa reduzir os preços em cerca de 15% a partir de 2005.

Má notícia para os empresários, que terão que lutar para garantir suas margens de lucro, mas boa notícia para os consumidores que sairão com uma conta mais barata.

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