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Futuro comissário europeu defende liberalização da agricultura | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O futuro comissário europeu para o Comércio, o britânico Peter Mandelson, disse nesta segunda-feira acreditar que "o coração das negociações na OMC (Organização Mundial do Comércio) é a liberalização da agricultura. Ela é completamente central nas negociações, assim como é completamente central o desenvolvimento (dos países pobres)". A declaração foi uma resposta a perguntas dos parlamentares europeus em um encontro que durou três horas e em que Mandelson tinha o objetivo de convencê-los a aprová-lo para substituir o atual comissário Pascal Lamy. Mandelson afirmou mais de uma vez aos deputados europeus que concorda totalmente com a ligação entre liberalização e redução da pobreza no mundo. "As evidências mostram que quando países em desenvolvimento têm a oportunidade de fazer negociações mais livremente e abrir mercados, existe crescimento econômico", afirmou o britânico. "Eu sou um multilateralista por natureza", disse. "Se eu não acreditasse que comércio livre ajuda a reduzir a pobreza no mundo, eu não seria a favor da liberalização", acrescentou. Liberalização Uma fonte diplomática em Bruxelas afirma que vai ser difícil Mandelson manter sua posição liberal para a agricultura na OMC, pois alguns membros do bloco europeu são contra a liberalização no setor. "Porém, se o futuro comissário vencer essa batalha interna, o ganho para os países do G-20, como o Brasil, será excepcional", diz essa fonte. O Brasil e os outros países do Mercosul, além do G-20, grupo liderado por Brasil, Índia e China, defendem a liberalização da agricultura internacionalmente, já que a maior parte dos países em desenvolvimento do mundo tem a sua economia baseada na agricultura. Eles também criticam a proteção que os países ricos criam, por meio de subsídios, para a produção e para a exportação de produtos agrícolas, o que faz com que os produtos dos países em desenvolvimento não consigam competir nos mercados dos países ricos. O cargo que deverá ser ocupado por Mandelson a partir de novembro, caso o Parlamento Europeu o aprove, é o de principal negociador comercial do bloco. Ele será responsável pela política européia nas negociações da OMC e também do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia, caso este não seja concluído até o final deste mês. Mercosul Em relação ao Mercosul, Mandelson citou as ofertas feitas pelo bloco como inaceitáveis. "Se Lamy não concluir as negociações com o Mercosul (até o final de outubro), por causa da oferta inaceitável feita pelo bloco sul-americano, trabalharei para recolocá-las em andamento, dando mais atenção para a substância do que será tratado do que para a pressa (em fechar um acordo)", disse Mandelson, que já teve conversas por telefone sobre o assunto com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim. A União Européia não considera a oferta final do Mercosul ambiciosa o suficiente para fechar o acordo. Os europeus reclamam que falta liberalização nas áreas de investimentos, telecomunicações, bancos e compras governamentais (as chamadas licitações públicas), do lado do Mercosul. O bloco sul-americano também não ficou satisfeito com a oferta européia, principalmente na área mais importante, a agrícola. A União Européia aceita liberalizar apenas os produtos agrícolas que não produz ou que não protege com subsídios – o que deixa de fora a liberalização do comércio de carne, álcool, açúcar e muitos outros produtos fundamentais para a economia do Mercosul. O futuro comissário disse ainda que o Mercosul será a quarta de sua lista de seis prioridades. Segundo Mandelson, suas prioridades em ordem de importância são: as negociações da OMC; acordos comerciais com os países da África, Caribe e Pacífico (países considerados os mais pobres do mundo); a relação União Européia x Estados Unidos; Mercosul; Rússia e Ucrânia; e China. |
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