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Argentina faz 'esforço louvável', diz Amorim | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O assunto não faz parte da pauta oficial das reuniões que antecedem a cúpula do Mercosul, mas as declarações sobre as diferenças comerciais na relação bilateral entre Brasil e Argentina são inevitáveis para as autoridades do bloco econômico. Depois do primeiro dia da reunião do Conselho do Mercado Comum, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que é “razoável” a percepção de que a Argentina se desindustrializou nos últimos anos e, agora, está fazendo “um esforço louvável” para se reindustrializar. “A atitude brasileira é de compreensão pela existência de um problema e para a necessidade de encontrar soluções”, disse o chanceler. Amorim, no entanto, fez ressalvas indiretas à proposta argentina de instituir salvaguardas permanentes para proteger a indústria do país. De acordo com o ministro, as melhores soluções são aquelas que contribuam para a maior competitividade do bloco “como um todo”. “Nós achamos que é muito melhor nós pensarmos em um projeto de política industrial comum, que nos leve a ser capazes de competir na economia global, do que pensarmos apenas em proteger os nossos próprios mercados.” Pressão argentina Na quarta-feira, comerciantes argentinos que participam em Belo Horizonte do 1° Fórum Empresarial do Mercosul reforçaram a pressão por um maior equilíbrio nas relações comerciais entre Brasil e Argentina. Em Buenos Aires, a Confederação Argentina da Empresa Média (Came, na sigla em espanhol) entregou ao ministro argentino de Relações Exteriores, Rafael Bielsa, uma carta de apoio à proposta de barreiras a produtos brasileiros. "O Mercosul deve possibilitar o desenvolvimento econômico recíproco e na emergência. O Brasil deve aceitar a fixação de salvaguardas a um conjunto de produtos seriamente afetados pela importação que debilitam a indústria local", diz o documento. "Consideramos que colocar um limite a esses desvios constitui uma medida de alcance estratégico que permitirá um diálogo mais construtivo, cujo resultado será uma integração regional e continental que haverá de beneficiar ambas nações", acrescenta o texto. Não de diplomata Pressionado pela imprensa argentina para dar a posição oficial do governo brasileiro sobre a proposta de legalizar as salvaguardas, o chanceler Celso Amorim apelou para o humor. O ministro disse que lembrou de uma "anedota politicamente incorreta" que termina com a expressão: "Quando um diplomata diz não, ele não é um diplomata." “Nós temos que trabalhar de maneira imaginativa, reconhecendo que existem problemas, mas buscando soluções que sejam mutualmente satisfatórias”, disse Amorim. Embora a discussão da proposta tenha sido deixada para negociações bilaterais em janeiro, diplomatas argentinos demonstrar certa irritação com a falta de uma resposta clara do Brasil sobre a possibilidade de aceitar as barreiras. Em conversa com jornalistas de seu país, o subsecretário argentino de Integração Econômica para América e o Mercosul, Eduardo Sigal, fez questão de reforçar o fato de que a Argentina já deixou bem claro o que quer, o que não quer e o que aceita negociar sobre o assunto. De acordo com Sigal, a proposta de legalizar as salvaguardas foi lançada pelo ministro argentino da Economia, Roberto Lavagna, em setembro e foi formalmente apresentada ao Brasil, com todos os detalhes, na semana passada. |
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