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Mercosul rebate críticas com acordos e novos sócios | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primeiro dia da reunião em Belo Horizonte do Conselho do Mercado Comum, órgão executivo do Mercosul, terminou com o anúncio da conclusão de acordos comerciais e com a confirmação da entrada no bloco de três novos membros-associados. Os ministros de Relações Exteriores dos países que integram o bloco aprovaram a adesão de Venezuela, Equador e Colômbia ao Mercosul. Os três países terão o mesmo status de Chile, Bolívia e Peru. Os seis membros-associados participam da área de livre comércio, mas não aplicam as mesmas tarifas de importação que os quatro membros plenos (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e nem fazem parte de outros acordos ou mecanismos do bloco. Ao anunciar os três novos sócios do Mercosul, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, destacou que os únicos países da América do Sul que não se associaram formalmente ao bloco são Suriname e Guiana, que não têm tratados de livre comércio para a região. Índia e África Amorim também anunciou a conclusão das negociações de acordos de redução de tarifas no comércio do Mercosul com a Índia e com a Sacu (sigla em inglês que identifica o bloco de países do sul da África formado por África do Sul, Botsuana, Lesoto, Namíbia e Suazilândia). O acordo com a Índia prevê um corte nas taxas de importação de 450 produtos que são comercializados em negociações entre o país asiático e o bloco sul-americano. Já a lista de itens com tarifas reduzidas no comércio com a Sacu inclui cerca de mil produtos. O chanceler brasileiro aproveitou o anúncio dos novos acordos para rebater às críticas de que o Mercosul estaria vivendo uma crise de identidade, reforçada pelas diferenças comerciais na relação bilateral entre Brasil e Argentina. “Embora haja às vezes uma percepção crítica, senão catastrófica, em relação ao Mercosul internamente, visto de fora, ele vai muito bem e pujante”, disse Amorim O ministro afirma que diversos países, incluindo Canadá, Coréia do Sul, México, Japão e China, fazem fila para negociar acordos com o bloco sul-americano. Celso Amorim também destacou a discussão durante o encontro em Belo Horizonte sobre a criação do Fundo de Convergência Estrutural, que deve arrecadar verbas para projetos de desenvolvimento nos sócios menores do Mercosul (Paraguai e Uruguai) e nas regiões mais pobres de Brasil e Argentina. Itamar A reunião do Conselho do Mercosul também contou com a presença do ex-presidente Itamar Franco. Ao sair do encontro, ele anunciou que deixará o cargo de embaixador do Brasil em Roma em fevereiro. Itamar foi convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para participar dos eventos que marcam o aniversário de dez anos do Protocolo de Ouro Preto, que transformou o Mercosul em uma união aduaneira. O documento foi adotado quando o atual embaixador em Roma era o presidente da República. “O presidente Itamar Franco teve uma participação importante no lançamento da área de livre comércio sul-americana, que, de certa forma, está sendo concretizada com os acordos que foram realizados no âmbito da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração) e constituem uma base para a Comunidade Sul-Americana de Nações”, disse o ministro Celso Amorim. Itamar não explicou os motivos por que decidiu entregar o cargo de embaixador em Roma e se limitou a dizer que vai exercer a função até fevereiro a pedido do presidente Lula. O ex-presidente descreveu como “correta” a política econômica do governo Lula, mas reclamou que a taxa de juros no país permanece muito alta e disse que o Banco Central “sempre foi, e ainda é, uma caixa preta”. |
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