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Comunidade Sul-Americana é criada de olho na Ásia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
De olho no aumento das exportações, principalmente para a Ásia, autoridades de 12 países criaram a Comunidade Sul-Americana de Nações. A idéia é concretizar uma "integração física e institucional" (com a derrubada de fronteiras econômicas e a criação de instituições supranacionais) em um prazo de 15 anos. O primeiro ato concreto após a criação do bloco foi a assinatura de um acordo entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Peru, Alejandro Toledo, para a construção de uma rodovia. A estrada deve abrir o caminho do Brasil para o Pacífico, seguindo do Acre até portos peruanos, permitindo acesso ao oceano que separa a Ásia da América do Sul. Há duas semanas, Brasil, Argentina, Chile e Peru geraram polêmica entre setores empresariais ao declararem a China, o gigante asiástico, como uma economia de mercado. Em entrevista à BBC Brasil, o chanceler chileno, Ignacio Walker, disse que medidas concretas, como a da construção da rodovia, "vão abrir espaço para a comunidade de nações em tempos de globalização". Em números Na noite de quarta-feira, os presidentes Lula e Toledo participaram do encerramento do encontro que marcou o nascimento desse bloco, que reúne cerca de 360 milhões de habitantes. Essa união de 12 países, como lembrou Toledo, representa um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1 trilhão, exportações acima de US$ 200 bilhões, 27% da água doce do planeta e uma região que lidera na produção de alimentos. Mas, como disse, ainda sofre com as diferenças sociais. A próxima reunião do novo bloco será realizada no primeiro semestre do ano que vem no Brasil. Os chanceleres chileno e do Brasil, Celso Amorim, lembraram que a união vai "fortalecer a região" através de acordos de energia, telecomunicações e infra-estrutura e financiamento conjunto de obras. Os criadores do novo bloco acreditam que esse fortalecimento da região pode permitir uma melhoria na capacidade de exportação da região como um todo, principalmente para a Ásia. Assim como o presidente Lula e o ministro Celso Amorim, Walker citou o exemplo da União Européia como uma meta a ser seguida pela comunidade sul-americana de nações. "A União Européia partiu nos anos 50 com acordos de aço e carvão. E hoje em dia conta com uma moeda única e um parlamento único. O importante é começarmos passo por passo a partir de metas realistas. Por isso, essa ênfase na integração em infra-estrutura, energia, telecomunicações e financiamento dessas obras é uma forma de começar", disse Walker. Para ele, novos acordos, como o que foi assinado entre o Brasil e o Peru para a construção da rodovia que ligará o Brasil ao Pacífico, deverão ser assinados para tornar essa integração "cada vez mais realidade". A Comunidade Sul-Americana de Nações é uma idéia do governo brasileiro para unir 12 países (do Mercosul e da Comunidade Andina, além de Chile, Guiana e Suriname) por meio de acordos de infra-estrutura, econômicos e comerciais. Apesar de a Comunidade Andina ter mais de 30 anos, ela nunca avançou como quer o projeto dessa nova comunidade, e o Mercosul esbarra constantemente em problemas comerciais entre Brasil e Argentina. Questionado se essa integração é possível, mesmo quando sócios e vizinhos como Brasil e Argentina continuam tendo diferenças, ele respondeu: "Essas diferenças são normais. Existem conflitos comerciais, mas, para isso, existem mecanismos de solução de conflitos. Não devemos temer as diferenças. Elas são parte de nossa diversidade e por isso é tão importante concretizar essa comunidade de países sul-americanos e assim potencializar nossa capacidade de exportações e de crescimento dessa região, ligada pela geografia, mas por outros interesses comuns em tempos de globalização e de necessidade de conquista de novos mercados". A comunidade sul-americana de nações é formada por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname e conta ainda com o México e o Panamá como observadores. |
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