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Atualizado às: 07 de dezembro, 2004 - 00h09 GMT (22h09 Brasília)
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Maior risco de união sul-americana 'é não sair do papel'

O presidente Lula
Lula vai ao encontro que instituirá a Comunidade Sul-americana de Nações
O encontro que marca nesta semana a criação - em Cusco, no Peru – da união dos países do Mercosul e da Comunidade Andina divide analistas.

O maior risco, na opinião dos especialistas ouvidos pela BBC Brasil, é que a iniciativa não passe de um gesto político.

“O Chile apóia, mas teme que limite-se apenas ao surgimento de mais um canal para a burocracia”, diz o cientista político chileno David Alvarez, da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso).

O cientista político Rosendo Fraga, da consultoria argentina Centro de Estudos União para a Nova Maioria, dispara uma série de perguntas para mostrar que ainda desconfia dos efeitos concretos dessa integração.

“Qual o objetivo? Seguir o exemplo da União Européia? Se é assim será preciso fortalecer o bloco institucionalmente, com a criação de um parlamento único da região. Mas o Brasil concordará com esse tipo de união? Para ser um ator mundial, o Brasil, que impulsou essa união, deverá dar passos mais ousados como o apoio a essa institucionalização”, disse Fraga.

“Ou corre o risco desse encontro limitar-se a um gesto político e a uma carta de intenções.”

Otimismo

Mas há quem tenha uma visão menos cética sobre a iniciativa.

“O encontro ocorre em boa hora, quando a integração física é fundamental para que se exporte mais para a Ásia. A soja e o aço brasileiro, a carne argentina, o gás da Bolívia, entre outros itens. Enfim, essa união chega no momento exato”, defende o economista peruano Carlos Aquino Rodríguez, professor da universidade de San Marcos, em Lima.

Segundo essa lógica, o encontro ocorre no momento em que países asiáticos, como a China, mostram interesse comercial pela região.

De acordo com essa abordagem, é preferível definir uma agenda própria do que ser obrigado a limitar-se a obedecer “imposições das grandes potências”.

Para o peruano Carlos Aquino Rodríguez, nada será mais concreto do que realizar as obras necessárias para interligar os países através das comunicações e transportes, por exemplo. Por isso, ele defende a união sul-americana se realize, em parte, por essa via.

Os analistas acham ainda que ausências, como a do presidente argentino, Nestor Kirchner, que afirmou não ter viajado por recomendação médica, não deverão “ofuscar” a reunião.

Bloco

Os países que farão parte do grupo têm cerca de 360 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 800 bilhões.

O encontro, está sendo realizado em Cusco, no Peru, e foi batizado pelo Itamarati de Comunidade Sul-americana de Nações.

Segundo nota distribuída nesta segunda-feira pelo Itamarati, a Comunidade Sul-americana de Nações será desenvolvida a partir de alguns pilares: diálogo político, integração econômica e comercial, integração de transportes, energia e comunicações.

A primeira reunião de cúpula, após sua criação, ainda de acordo com o Itamarati, acontecerá no Brasil, em 2005.

Os países que formarão o bloco são: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que integram o Mercosul. Bolívia, Equador, Colômbia, Peru e Venezuela, que estão no chamado Can (Comunidade Andina de Nações). Além deles, estará o Chile e, como observadores, o México e o Panamá.

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