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Atualizado às: 10 de dezembro, 2004 - 08h50 GMT (06h50 Brasília)
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Países temem foco anti-EUA em bloco sul-americano

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Ricardo Lagos
Para Lagos, com Lula na foto, há cerimônias demais no continente
Os governos de países como o Chile, da Colômbia e do México temem que a Comunidade Sul-americana de Nações acabe dando "lugar privilegiado a ideologias" contra os Estados Unidos.

Como os três têm acordos comerciais diretos com aquele país, temem que esse novo bloco, que conta com a presença, por exemplo, da Venezuela de Hugo Chávez, um opositor do que chama de política "neoliberal" americana, "perca tempo" em discussões políticas.

Com isso, seriam deixados de lado os objetivos principais do grupo: em primeiro lugar, a união física (com estradas e telecomunicações), para depois avançar nas integrações comerciais, aduaneiras e institucionais como a moeda e o Parlamento únicos do bloco.

As preocupações foram expressas por assessores da Presidência dos três países.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, levantou durante o encontro um outro tipo de preocupação, a de que as pompas e as cerimônias estariam ocupando espaço demais na agenda dos países do continente.

Seu colega chileno, Ricardo Lagos, pensa parecido, afirmando que muito tempo é gasto região com burocracias e cerimônias como a que foi realizada em Cuzco.

A união faz a força

Mas assessores de Lagos e Uribe, assim como de Vicente Fox, o presidente do México (que tem cadeira de observador do grupo), essa uniao é importante e necessária.

A opinião é compartilhada pelo cientista político Fabián Vallas, da Universidade de Lima, no Peru.

Para ele, quando a comunidade virar realidade, os países do bloco ficarão mais fortes para conquistar novos mercados e, principalmente, ter peso em organismos internacionais.

"Um país, por mais que esteja preocupado com suas questões internas, não pode mais ficar sozinho. A globalização pede união", disse Fabián.

"Hoje, a diferença é que existe uma emergência que vem de fora e nos obriga a optar pela integração. Mas vamos ser realistas. Para que a integração ocorra é preciso estabilidade ou os investidores não chegarão aqui", continuou.

Ele ressaltou que, a exemplo da Europa, é hora de definir metas e cumpri-las, de "arrumar a casa" e cuidar das questões sociais para que o bloco seja "levado a sério".

A dúvida, porém, é sobre o tempo e a forma com que essa integração ocorrerá.

Especialmente porque, neste momento, a China ganha novos mercados, e os Estados Unidos avançam com políticas comerciais próprias, como destacou o analista peruano Carlos Aquino Rodríguez, da Universidade de San Marcos.

Para Rodríguez, é melhor para os países da região estarem unidos, mas é preciso ter claro que essa união vai demorar para se tornar realidade.

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