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Cúpula em Ouro Preto tem pouca chance de sucesso, diz Economist | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A reunião de cúpula do Mercosul, marcada para a próxima semana, em Ouro Preto, não deve trazer o bloco sul-americano "próximo à realidade", diz a revista britânica The Economist. "Existe mais reclamação do que celebração", argumenta o texto publicado na edição desta semana. "A Argentina está levantando barreiras contra as exportações brasileiras. Os fazendeiros de arroz brasileiros bloquearam carregamentos da Argentina e do Uruguai. As negociações de livre comércio com a União Européia encalharam em outubro, em parte, dizem críticos, porque o Mercosul não podia apresentar uma proposta melhor", enumera a revista. Em entrevista à Economist, o cientista político Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, disse que o consenso em torno do Mercosul "está começando a se desintregar". O texto segue dizendo que a nova geração de líderes na região "pode tornar as coisas ainda piores", já que eles estariam mais preocupados em "expandir o papel do Estado no desenvolvimento, o que é difícil de se reconciliar com livre comércio e regras uniformes". Comparação Segundo a reportagem, falta integração ao bloco formado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. "Integração era para encorajar a estabilidade e a democracia em uma região que sabe muito pouco sobre ambas", escreve a Economist. Mas, colocar isso em prática, continua o texto, é bem mais difícil do que apenas fazer um discurso. A Economist segue a reportagem fazendo uma comparação do Mercosul, que estaria "se tornando mais imperfeito com o passar do tempo", com a União Européia. "O Brasil debilita seus três parceiros, mas não é rico suficiente para subsidiá-los nem disposto a ceder pedaços de soberania, como a Alemanha fez para promover a União Européia. A Argentina é muito pequena para assumir o papel de patrocinador da França e, algumas vezes, adota a prudência da Grã-Bretanha." Cuzco Também na edição desta semana, a Economist publica uma matéria sobre o encontro em Cuzco, no Peru, que marcou a criação da Comunidade Sul-Americana de Nações. O bloco, formado pelos países do Mercosul e da Comunidade Andina, somará 320 milhões de pessoas e um PIB de US$ 1 trilhão. Mas, para a revista britânica, a nova comunidade é "cheia de atritos". A matéria argumenta que três dos quatro presidentes do Mercosul e o presidente do Equador não compareceram ao encontro no Peru, o Chile não voltará ao bloco andino, por considerar as tarifas muito altas, e os países andinos fazem mais comércio com os Estados Unidos do que com o Mercosul. "Talvez o resultado mais útil do encontro de Cuzco serão as discussões informais entre os presidentes do Chile, Ricardo Lagos, e da Bolívia, Carlos Mesa. Os dois países têm se hostilizado desde que a Bolívia perdeu sua costa litorânea na guerra com o Chile, entre 1879 e 1883." |
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