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Ariel Dorfman: "A esperança é que a Justiça seja feita" | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A decisão do juiz Juan Guzmán de processar o ex-presidente do Chile Augusto Pinochet foi bem recebida por grupos de direitos humanos e comemorada pela família das vítimas. O escritor Ariel Dorfman, que foi exilado do Chile depois do golpe de 1973, disse que sua primeira reação ao ouvir a notícia foi de contentamento, principalmente porque a morte de um de seus grandes amigos será abordada no julgamento. "A esperança é que a justiça seja feita e que o homem que mandou prender, torturar e matar meu amigo e tantas outras pessoas seja julgado", disse Dorfman. Para o escritor, estava na hora de o país assumir que a principal pessoa responsável pelos crimes foi o general Pinochet. Condor Neste processo aberto por Guzmán, Pinochet é acusado por uma suposta ligação (e até liderança) com a Operação Condor, um plano de coordenação das diversas ditaduras sul-americanas, incluindo a do Brasil, durante as décadas de 70 e 80 com o objetivo de reprimir opositores. John Dinges, autor do livro The Condor Years: How Pinochet and his Allies brought Terrorism to Three Continents (Os Anos Condor: Como Pinochet e seus Aliados Levaram o Terror a Três Continentes, em tradução livre), afirma que a natureza internacional da operação faz com que seja mais difícil a defesa de Pinochet. "A Operação Condor torna Pinochet particularmente vulnerável, porque é fácil dizer que todos os outros casos de abusos de direitos humanos, particularmente aqueles dentro do Chile, foram cometidos por subordinados", diz Dinges. "Mas eu acho que é impossível usar o mesmo argumento para uma operação que reuniu seis países. Para isso era necessária a autorização de um líder." Os familiares das vítimas saíram às ruas de Santiago para celebrar a decisão de Guzmán. "Estou muito feliz em saber que o general Pinochet vai responder a acusações sobre a morte de meu irmão", disse Miriam Tamayo Martinez, irmã de Manuel Tamayo, que foi preso em abril de 1976 em Mendoza, na Argentina. Assim como outras oito pessoas citadas no processo da Operação Condor, o corpo de Manuel nunca foi encontrado. Família Mas amigos e familiares do ex-presidente insistem que ele ainda tem problemas de saúde e que não tem condições de ir a julgamento. Para a filha de Pinochet, Lucia Pinochet Hiriart, as acusações contra seu pai são "cruéis". "Minha mãe foi afetada com isso, e eu insisto que é cruel, para mim isso é vingança, e eu acho que não é justo se vingar de um casal porque você prejudica as pessoas que em parte já pagaram por isso", afirmou. "Isso é vingança de grupos internacionais de esquerda. Eu o conheço. Eu sou amiga da família, e ele é uma boa pessoa, não é um monstro", disse Carmen Martinez, amiga do ex-presidente. |
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