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Guinada à esquerda na América Latina pode ser temporária, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A eleição do esquerdista Tabaré Vazquez para a Presidência do Uruguai, seguindo a tendência já sentida em outros países da região nos últimos anos – Brasil, Argentina, Venezuela, Chile e Equador – não necessariamente significa uma tendência permanente de "esquerdização" da região, na avaliação de analistas ouvidos pela BBC Brasil. "É normal oscilar entre partidos de diferentes tendências políticas", diz a cientista política Kathryn Hochstetler, especialista em América Latina da Universidade do Estado do Colorado. Na avaliação de Hochstetler, a eleição de Vasquez, que quebrou a tradição de revezamento de poder entre os dois partidos políticos tradicionais uruguaios – Branco e Colorado – desde a independência do país, há 179 anos, é mais um sinal da frustração da América do Sul com as políticas neoliberais colocadas em prática na região nos anos 90. O candidato do partido Colorado, do atual presidente Jorge Battle, teve apenas 10% dos votos. Vazquez elegeu-se pela coalizão Encontro Progressista-Frente Ampla, depois de amargar duas derrotas nos pleitos anteriores. Moderado O cientista político Luis Fernando Nunes, diretor do Instituto Nacional Democrático, braço do Centro Carter, em Lima, no Peru, também acha que a América Latina tem uma tendência de escolher seus governantes de maneira pendular, e que as vitórias recentes da esquerda não significam que ela vai se manter no poder nos próximos anos. Mas, assim como acontece com os políticos brasileiros, Nunes acha que também nos outros países sul-americanos os eleitores escolhem o candidato em vez do partido. Ele vê o presidente eleito do Uruguai como de esquerda moderada, mesma forma como avalia o governo do presidente Lula. "Ele não poderia governar sem acordos", afirma. O bom relacionamento de Vazquez com os presidentes brasileiro e argentino deve fortalecer o Mercosul, na avaliação de Nunes. O atual presidente Battle é mais alinhado com os Estados Unidos e está negociando um acordo de livre comércio entre os dois países, enquanto o governo brasileiro insiste que todos os acordos devem incluir os quatro membros do Mercosul. Enquanto vêem semelhanças e prováveis alianças estratégicas entre os governos do Brasil, Argentina e agora do Uruguai, os analistas ressalvam que não se pode esperar o mesmo da Venezuela e do Equador. "Equador e Venezuela correm o risco de uma convulsão social", diz Nunes, lembrando do nível de abstenção recorde nas eleições locais deste fim de semana na Venezuela. "As pessoas estão decepcionadas com a política. Não só com o presidente Chávez, mas também com a oposição", afirma. Kathryn Hochstetler diz que é preciso tomar cuidado com julgamentos precipitados sobre o possível governo "de esquerda" de Vaszquez. "Existe muita diferença entre um candidato de esquerda e um presidente de esquerda", afirmou. "Há vários casos desse tipo na América Latina, como por exemplo o presidente Lula." |
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