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Candidato do governo culpa crise do Brasil por derrota | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O candidato do governo à eleição presidencial do Uruguai, Guillermo Stirling, culpou as crises do Brasil, em 1999, e da Argentina, em 2001, por sua provável derrota no pleito deste domingo. Numa entrevista à BBC Brasil, em sua residência, no bairro de Pocitos, Stirling disse que sua candidatura foi atingida em cheio pelas crises econômicas dos dois principais sócios econômicos do Uruguai. "Estamos pagando as conseqüências de ter vivido a pior etapa econômica da história do nosso país, afetado, primeiro, pela desvalorização do real e depois pelo terremoto que atingiu a Argentina e chegou a lhe custar cinco presidentes em poucos dias", disse. "Nosso comércio com os dois países caiu, então, de 70% para 30%. Os efeitos foram o aumento da pobreza e do desemprego", afirmou. Aprovação Guillermo Stirling foi ministro do Interior do governo de Julio Maria Sanguinetti, antecessor do atual presidente, Jorge Batlle, com o qual manteve o cargo até se licenciar em marco último para lançar sua candidatura presidencial. Stirling, como reconhecem diferentes analistas uruguaios, iniciou a campanha quando tinha altos índices de aprovação junto à população. "A imagem da polícia, por exemplo, era uma das piores e, depois de sua gestão, passou a estar entre as melhores, perdendo apenas para a Igreja", lembrou um de seus principais assessores. Stirling será, porém, protagonista da pior derrota na história do Partido Colorado, com 170 anos de existência, caso sejam confirmados os índices de intenção de votos, divulgados por cinco diferentes institutos de opinião. Segundo estes levantamentos, o Colorado, partido do presidente Batlle, receberá em torno de 10% dos votos, perdendo para o candidato Jorge Larrañaga, do Partido Nacional (ou Blanco), que, de acordo com essas projeções terá cerca de 30% dos votos, e para o médico Tabaré Vázquez, da coalizão Encontro Progressista-Frente Ampla, com pouco mais de 50% da votação. Exemplo brasileiro Na opinião de Stirling, de 67 anos, seja quem for o vencedor deverá fazer um governo de continuidade. E assim como Tabaré, seu opositor, ele cita o exemplo brasileiro. "Assim como o presidente Lula reafirmou e aprofundou a política do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o próximo presidente do Uruguai não vai poder mudar o rumo que já foi dado ao país. O mundo de hoje não lhe dará margens para mudanças", destacou. Para ele, o Uruguai é um partido de centro e uma das provas é que os partidos Colorado e Blanco sempre se alternaram no poder. Stirling acredita que se Tabaré chegar ao poder não fará muito diferente, já que também passou a ser um político mais de centro, buscando a conciliação do Estado e do mercado. A outra justificativa dada pelo candidato do governo para reforcar sua tese de que não haverá mudancas no Uruguai, apesar de "cambio" ter sido a palavra mais usada nessa campanha, foi a de que o país está em plena recuperação econômica. "O Produto Interno Bruto do Uruguai está crescendo 11% neste ano, a agricultura cresce como nunca, somando 30% de alta em apenas três anos, o que jamais tinha acontecido antes", argumentou. Durante as crises do Brasil e da Argentina, o PIB do Uruguai chegou a cair 18% e o desemprego, hoje em torno dos 13%, bateu o recorde de 21%. |
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