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Pobreza e desemprego são pior herança no Uruguai | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os dramáticos índices sociais são a pior herança que receberá o próximo presidente eleito do Uruguai, cujo nome sairá das urnas na eleição deste domingo, mas que, pela constituição, só tomará posse no dia primeiro de março de 2005. Segundo dados oficiais, 30% dos uruguaios estão abaixo da linha de pobreza, 13% estão desempregados e entre 25% e 40% dos ocupados recebem salários menores do que deveriam. Os resultados, que mostram a perda da qualidade de vida dos uruguaios, são efeitos da recessão econômica vivida pelo país entre 1999 e 2002, a partir das crises que ocorreram, naquele período, no Brasil e na Argentina. Economistas entrevistados pela BBC Brasil, como Adrían Fernández, do Centro de Investigações Econômicas, Fanny Trylesinski, que apóia o candidato oficial, Guillermo Stirling, e Danilo Astori, o provável ministro da economia no governo do candidato favorito Tabaré Vázquez, reconheceram que o crescimento econômico ainda não foi suficiente e capaz de amenizar, ou resolver, os índices sociais. “A expectativa é de que o país cresça esse ano entre 10% e 11%, as exportações estão em alta, aproximando-se da estabilidade de outros tempos, e, no geral, as contas públicas estão organizadas”, disse Adrían Fernández. “Mas o governo vai precisar aplicar políticas específicas para resolver os drásticos índices sociais que temos hoje”, acrescentou. Prioridade Para ele, a perda salarial de cerca de 33%, os mais de 100 mil desempregados e os mais de um milhão que vivem hoje abaixo da linha de pobreza deverão ser, sem dúvida, a prioridade do próximo governo uruguaio. Por sua vez, a oficialista Fanny Trylesinski acredita que o crescimento recorde do Produto Interno Bruto (PIB) do Uruguai, mais a estabilidade institucional, mantida mesmo nos piores momentos da crise, e o acordo realizado, em maio de 2003, com os que compraram papéis da dívida do país, são a melhor herança deixada pelo governo de Jorge Batlle, após cinco anos de gestão e baixos índices de popularidade. Para o senador e economista Danielo Astori, a negociação de um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em março próximo, quando o eleito assumir a cadeira presidencial, será fundamental para manter as contas públicas do país nos trilhos. Ele insistiu que o caso brasileiro, com o presidente Lula mantendo, e até aprofundando, os limites fiscais poderão servir de exemplo para o Uruguai. O economista Adrían Fernández lembrou que por isso mesmo, a grande pergunta feita hoje no Uruguai é se o próximo presidente fará um novo ajuste fiscal. Dívida Atualmente, a dívida total do país (com os que investiram nos títulos públicos e com os organismos multilaterais de crédito, entre os quais o FMI) é de US$ 12 bilhões, equivalente a 100% do PIB. Com a última troca de papéis, realizada em 2003, ficou acertado que esse pagamento só começará a ser efeutado, como destacou Adrían, em 2008, dando-se um alívio de três anos aos cofres públicos. Ao mesmo tempo, o Uruguai vai superar esse ano a meta de supéravit fiscal primário, de 3,2% do Produto Interno Bruto, estabelecida pelo Fundo. Este indicador deverá ficar em cerca de 4% do PIB. Nenhum destes resultados, como observaram diferentes analistas políticos, foram capazes de reduzir o impacto dos números sociais sobre a intenção de votos nos candidatos dos partidos tradicionais – Colorado e Blanco (ou Nacional). Os dois existem há 170 anos e pela primeira vez na história do país, se as intenções de voto forem confirmadas, serão derrotados por uma coalizão de esquerda, liderada pelo médico Tabaré Vázquez, das Frente Ampla. Dos dezoito presidentes eleitos constitucionalmente, durante o século XX, dezessete foram do partido Colorado, incluindo o atual, Jorge Batlle. No sábado, poucas horas antes da abertura das urnas, houve batucada e buzinaço no centro da capital do país. O mesmo ocorreu na praia de Pocitos e no antigo mercado, na parte histórica da cidade. A expectativa é de que Tabaré, o candidato favorito, fale a seus seguidores por volta das 22h, uma hora a mais do que no Brasil. Mas o Colégio Eleitoral só deverá divulgar o resultado, ainda não se sabe se completo ou parcial, por volta das três da manhã da segunda-feira. |
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