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Outonais convenções | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Fácil dizer quando é outono na Inglaterra. As folhas das árvores amarelam e caem, os políticos enrubescem e sobem ao palco. Doce rotina nesta altura da vida em que uma das principais preocupações é evitar as grandes novidades. Em inglês, chamam de conference, conferência. Para nós de conotação por demais didática e algo tediosa, por mais empolgante o assunto. Convenção é perfeito. Reunião de pessoas, delegados de um partido político, para tratar dos assuntos de seu interesse, debater seus problemas, concordar com uma plataforma, escolher candidatos, ouvir o máximo de representantes – os senhores e senhoras convencionais –sobre todos os assuntos possíveis da alçada de seu partido. Num mundo ideal, todos os assuntos são da alçada de qualquer partido político Cada um dos principais partidos, em sistema de rodízio, comparece a uma estação balneária e, durante um determinado número de dias, vende ou compra seu peixe. Já tivemos, neste ano, a convenção dos sindicatos, dos liberais democratas e, agora, nesta semana, vem ocorrendo, desde domingo, a do Partido Trabalhista, que, numa tradução livre (mas muito livre mesmo) podemos chamar de New Labour. Está se realizando em Brighton, onde há 20 anos o Exército Republicano Irlandês detonou uma bomba-relógio, matou alguns, feriu muitos e quase acaba com a carreira política da então primeira-ministra Margaret Thatcher. A televisão da BBC cobre tudo e todas as convenções todos os anos. Sejamos francos, não é transmissão das mais emocionantes. Quem que ficou em casa vai se interessar pelos discursos, pelas promessas e até mesmo – esse é um ponto interessante – pelas cobranças dos convencionais? Quando sai um violento bate-boca é bom. Idem quando há manifestações contrárias à política oficial adotada pelo partido reunido, principalmente quando é o que está no poder, conforme está acontecendo com Tony Blair e seu gabinete. Na falta de emoções maiores, a melhor coisa a se fazer é escolher o televisionamento dos melhores momentos e complementar com editoriais e artigos dos jornais das mais variadas matizes políticas, que aqui as há. Política pode não ser interessante. Mas é sempre sobre a gente. Sobre onde e como vivemos. Há que se tentar, não importa a língua, não importa o país, há que se tentar a aproximação entre nós e nós mesmos. |
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