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Fome Zero, Estátuas Mil
Ivan Lessa
Em sociedade tudo se sabe. Pouquíssimo se sabe sobre a nossa sociedade. Não sei se deu certo o Fome Zero.

Sei que o Estátuas Mil vai bem, merci. A população estatual cresce, tende a explodir. Principalmente na zona sul do Rio, onde, como se não houvesse gente suficiente, surge a necessidade premente de encher espaços vazios com pesados simulacros de pessoas amadas (?) por sua população.

E tome estátua de bronze. Lá está, sentado diante da praia, o poeta Carlos Drummond de Andrade, que eu cansei de ver nas cercanias de sua residência, na rua Joaquim Nabuco, em geral esperando o ônibus.

Se era para imitar, como foi imitada, botar a estátua de um poeta em lugar de sua frequência, como Fernando Pessoa sentado no banco da confeitaria “A Brasileira”, em Lisboa, que botassem Drummond na fila do ônibus. Nunca foi flagrado por ninguém mirando o mar.

Em 2001, um colunista social, Zózimo Barroso do Amaral, virou não só estátua de bronze em tamanho natural (1,80cm) como também nome de praça no Leblon.

A estátua de Zózimo segura o paletó com a mão direita, tendo a esquerda no bolso, com o cotovelo direito apoiado na mureta da praça.

Zózimo também olha o mar. Junto à estátua, asseguram-me as folhas, “inseparáveis objetos de trabalho”: máquina de escrever, caderno de anotações e jornal. A estátua foi inaugurada ao som do hino do Flamengo.

Neste domingo, 26 de setembro, Ibrahim Sued, o maior de todos os colunistas sociais, tido como o pai do gênero, sempre segundo nossa imprensa, também vira estátua de bronze em tamanho natural – e largo, isto é, uma área do calçadão em frente ao hotel Copacabana Palace, local divulgado pelo cronista social durante 45 anos de trabalho.

Para Ibrahim, o Copa era sua segunda casa, pois lá almoçava, dava festas e recebia amigos.

Parece que o hotel não compareceu com “algum” para as despesas. Colunistas atuais me informam que os 204 kg de bronze necessários para a produção da estátua foram oferecidos por Henrique Santos, um português residente no Brasil e grande admirador do colunista.

O projeto todo, no entanto, foi patrocinado por um amigo de Ibrahim, que preferiu ficar no anonimato. Será a Dama de Preto?

Olho vivo que cavalo não sobe escada. Stop e ademã, gente, que eu vou em frente.

Arquivo - Ivan
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