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Atualizado às: 08 de setembro, 2004 - 11h46 GMT (08h46 Brasília)
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Matemática redentora
Ivan Lessa
Numa semana em que a humanidade tem que enfrentar a monstruosa realidade do sucedido em Beslan, na Rússia, a tendência é dela – da humanidade – fugir o mais cedo e dentro da maior distância possível.

Na televisão, há as fugas habituais, mas, estando-se na Grã-Bretanha, há uma tendência em peitar os mais ferozes acontecimentos com a precisão e a dignidade que estiverem à mão. Assim, tivemos, em oito dias, uma excelente reconstituição dos eventos que levaram aos vôos suicidas de 11/9, e, agora, na quinta-feira, dia 9, o Channel 4 promete um documentário sobre as teorias conspiratórias em torno da brutal tragédia.

Está certa a pauta. Não há como se fugir da humanidade e seus desconfortos. Ou há?

De minha parte, mesmo velho escolado, não consigo alienar minha porção humana e sofrer, cá à minha maneira, o que vem se passando e passa – inclusive furacões na Flórida e terremotos no Japão.

A solução é a matemática, descubro nas folhas. Quer dizer, solução para eles lá, ou onde for, que entendem da coisa. Eu até hoje não consigo contar os pontos das cartas que ficaram na minha mão quando alguém bate no biriba ou buraco.

Dou vivas de alegria, no entanto, ao saber que estão por ser desvendados alguns dos Santos Graais da matemática, que há mais de um século atormentam os praticantes da esotérica disciplina.

Graças à informática, prestes a ruir estão os segredos das conjeturas Birch e Swinnerton, Hodge e Poincaré, além da equação de Navier-Stokes. Tudo indica que a geometria euclidiana do século em que vivemos revelará finalmente suas funções zeta e que, nas equações algébricas, teremos respostas tanto finitas quanto infinitas.

O que mais me anima mesmo é ver ruir – enfim, Senhor! – a hipótese Riemann. Aquela mesmo, aquela que envolve também funções zeta e assevera que todas as soluções “interessantes” (atenção para as aspas) para uma equação encontram-se numa linha reta.

Isso pode ser verdade para as primeiras um milhão e quinhentas mil soluções, mas não para todas. Óbvio.

Tudo isso é muito simples. Quando não se pode entender uma coisa – Beslan –, troca-se por outra coisa mais fácil e menos horrenda de não se entender.

Arquivo - Ivan
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