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Atualizado às: 22 de setembro, 2004 - 10h16 GMT (07h16 Brasília)
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Caça à raposa
Ivan Lessa
Feito se dizia: “A ADEG informa: sai Iraque, entra raposa”.

Uma semana inteira, ou mais, de, na mídia, só sobre a votação no Parlamento em torno da caça à raposa com cães.

“Com cães” é um eufemismo bem britânico para caçar e a seguir matar raposa.

Quer dizer, correr a cavalo, com roupas lindas de morrer (e matar), atrás de uma cachorrada (no bom sentido) excitadíssima com o programa todo.

A caça à raposa é programa de gente bem. Gente bem e endinheirada.

E dinheiro, por estas bandas, continua a comprar, até certo ponto, aquilo que é bem ou chique.

Inefável e incomível

Oscar Wilde, para variar, definiu a caça à raposa de forma precisa e engraçada.

Disse ele tratar-se do inefável em busca do incomível.

Pura verdade. Só que as coisas são sempre mais complicadas em terras de Inglaterra.

Há muitos empregos em jogo, há mesmo uma questão de equilíbrio ânimo-ecológico, se é que isso existe.

Gosto de acompanhar inglês discutindo. Acho mais interessante que acompanhar o futebol que praticam.

Os males infligidos à nação pelas danadas das raposas me chamaram a atenção nas duas últimas semanas.

Fiquei sabendo que, segundo fontes fidedignas, há no Reino Unido, cerca de 250 mil raposas, das quais 225 mil habitam o campo, sendo que o resto fica zanzando pelas cidades e seus arredores.

Esse número permanece estável, o que é notável, uma vez que, por ano, 425 mil filhotes de raposa vêem a luz do dia, no caso de um au-au deixar.

A dura aritmética da natureza nos ensina que há, de alguma forma, que se livrar de excessos vulpinos.

Vinte e cinco mil raposas morrem de caçada por ano. Oitenta mil falecem (eu respeito o bicho) na ponta da arma dos camponeses que zelam por suas aves de abate.

A maioria, umas 300 mil raposas, morre de morte morrida, de velhice.

Brinde

Mais importante, segundo o lobby pró-caça: uma raposa, mesmo bem alimentada, é capaz de estraçalhar, em tempo mínimo, cerca de 50 a 60 galos, galinhas, faisões, codorna ou codorniz.

Jura ainda, a turma do colete vermelho e calça branca, montada a cavalo, tomando seu xerez ou porto, antes de sair correndo com os cães, jura ela que a raposa junta-se a seus ancestrais em apenas 5 segundos depois de uma mordida certeira no cangote dada pelo cão-líder da equipe canina.

O estraçalhamento pelo resto da cachorrada vem depois. Espécie de brinde comemorativo.

Mais não sei. Torço, como num péssimo jogo de futebol, para que os dois percam.

Bom mesmo, que eu lembre, é a caça ao saci.

Mas isso são outros quinhentos reais, ou mil-réis, para ser mais preciso.

Arquivo - Ivan
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