|
Controle populacional perdeu espaço, diz ONU | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um estudo divulgado nesta quarta-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU) diz que diminuiu a preocupação da comunidade internacional com o crescimento da população mundial. "A Conferência do Cairo (realizada em 1994) mudou completamente a visão a respeito dos desafios em relação à população e ao desenvolvimento. Seres humanos e direitos humanos, mais do que números da população e índices de crescimento, estão agora no centro da questão", diz o relatório que avalia o que foi feito desde o consenso estabelecido na reunião no Egito. O principal pesquisador do relatório, Stan Bernstein, diz que o estudo mostra que os governos de países em desenvolvimento aumentaram seus esforços e mudaram diversas estruturas para adaptar suas políticas às visões pós-Cairo. "A mensagem foi transmitida e as decisões tomadas no Cairo se traduziram em mudanças efetivas nas políticas dos países signatários, mas não tivemos tanto progresso nestes dez anos quanto era esperado. Diversas estruturas institucionais foram implantadas, mas simplesmente não há dinheiro para estes programas", diz o pesquisador. "Para saúde reprodutiva, por exemplo, havia uma previsão de recursos de US$ 18 bilhões, sendo US$ 6 bilhões de doações de países ricos. Até agora, os doadores se comprometeram com apenas US$ 3 bilhões e os gastos dos governo de países em desenvolvimento acabam sendo muito irregulares", observa Bernstein. Crescimento populacional O relatório, no entanto, diz que o crescimento da população ainda é algo que tem de ser observado com atenção.
As estimativas prevêem que até 2050 a população mundial vai passar dos atuais 6,4 bilhões para 8,9 bilhões. Cerca de 96% dos 2,5 bilhões adicionais devem nascer em países em desenvolvimento. "As populações do Japão e da Europa estão diminuindo e o ritmo de declínio deve se intensificar entre 2010 e 2015. A América do Norte vai continuar crescendo a um ritmo anual de 1%, principalmente devido à imigração", avalia o relatório. John Bongaarts, vice-presidente para pesquisas de políticas públicas do Conselho para a População, um centro de estudos de Washington, diz que o crescimento da população ainda é uma preocupação no Sudeste Asiático e em alguns países do Oriente Médio. Aids Na África, as taxas de natalidade ainda são altas, mas Bongaarts diz que sérios problemas de saúde estão contendo o crescimento da população. "A epidemia de Aids efetivamente freou o crescimento da população em regiões do sul da África”, diz o pesquisador. Stan Bernstein concorda que o impacto da epidemia de Aids na África foi subestimado e que novas estratégias são necessárias. O pesquisador da ONU observa que o estudo Estado da População Mundial identificou avanços principalmente em áreas relacionadas à saúde e à educação da mulher. "O mundo avançou muito em questões ligadas à igualdade entre os sexos e os direitos reprodutivos, como o acesso a métodos contraceptivos", afirma o pesquisador. "Alguns avanços aconteceram, mas o relatório deixa claro que há desafios bem maiores a frente." |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||