|
Juros podem subir pela 1ª vez em 19 meses, dizem economistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta quarta-feira pode marcar a primeira elevação da taxa básica de juros desde fevereiro de 2003, na opinião de economistas. Especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que é grande a probabilidade de elevação da taxa. "Vejo como quase inevitável a elevação. As reações recentes de alguns membros do governo em relação à possibilidade de elevação, por conta dos critérios de construção de credibilidade sob os quais trabalha o Copom, acabam quase obrigando-os a aumentar. Se não, isso é visto como uma capitulação diante das pressões políticas”, avalia o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Universidade de Campinas (Unicamp). Belluzzo se refere aos comentários recentes de integrantes do governo – como o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o vice-presidente, José Alencar – defendendo a manutenção ou a reduçãos dos juros. "O Banco Central tem que sinalizar que essa inflação não vai se instalar", afirma Simão Silber, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP). "Seria apenas um aumento nominal de taxa, porque a inflação já subiu. O Banco Central está correndo atrás do prejuízo." O IPCA, índice utilizado pelo governo nas metas inflacionárias, recuou para 0,69% em agosto, depois de chegar a 0,91%, em julho, mas ainda é considerado alto. De janeiro a agosto, a inflação oficial acumulada foi de 5,14%, praticamente atingindo a meta para todo o ano, de 5,5%. A preocupação com a alta vem sendo refletida nas atas das últimas reuniões do Copom. Impacto O impacto de uma aumento dos juros divide os especialistas. Alguns entendem que o impacto na economia seria pequeno, mas outros alertam que a possível decisão teria um alto custo para a dívida pública. Se os juros subirem dos atuais 16% para 16,5%, “o impacto na dívida pública atrelada à Selic – taxa básica de juros – seria de R$ 4,5 bilhões a R$ 5 bilhões”, afirma Belluzzo. Para ele, a alta seria um equívoco. Dos quatro economistas entrevistados pela BBC Brasil, ele é o único que entende que uma elevação teria efeitos negativos nas expectativas de consumo e investimento. Já para o economista-chefe do banco de investimentos West LB em São Paulo, Adauto Lima, um aumento moderado seria a decisão mais adequada para o momento. Ele acredita que a taxa subirá para 16,25%, voltando aos patamares de março deste ano. “Um aumento (de 0,25 ponto percentual) não é tão significativo a ponto de frear decisões de consumo e investimentos”, avalia Lima. Em relação à dívida pública, sua opinião também é oposta à de Belluzzo. Segundo Lima, um eventual aumento de juros reduziria a velocidade, mas não reverteria a tendência de redução da dívida. “Há outras variáveis importantes. O estoque nominal, em reais, da dívida aumenta, mas, proporcionalmente ao PIB (Produto Interno Bruto), isso não necessariamente acontecerá”, afirma o economista, acrescentando que uma alteração de juros demoraria de seis meses a nove meses para fazer efeito e visaria a assegurar o cumprimento da meta de inflação de 2005. Precipitação Na opinião de Christopher Garman, economista da Tendências Consultoria, "As pressões inflacionárias vêm de ‘commodities’ e preços adminstrados pelo governo, como telefonia e luz elétrica. Não será alta de juros ou pressão de demanda que determinará menor nível de inflação", diz Garman. Ele acrescenta que não há perigo de alta de inflação por falta de oferta, pois muitos setores trabalham ainda com capacidade ociosa e, mesmo para os que trabalham mais próximos do limite de capacidade de produção, especialmente siderúrgico-metalúrgico e de papel e celulose (embalagens), a importação poderia suprir as necessidades do mercado interno. O efeito de um aumento de 0,25 ou 0,5 ponto percentual “seria zero à esquerda”, afirma Garman, que aposta na manutenção da taxa básica em 16%. Nas últimas cinco reuniões, o Copom manteve os juros inalterados. A última redução foi de 0,25 ponto percentual, em 14 de abril. A última elevação foi em 19 de fevereiro de 2003, de 25,5% para 26,5%. Em junho do mesmo ano, teve início a tendência de queda, quando os juros caíram 0,5 ponto percentual. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||