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Atualizado às: 17 de maio, 2004 - 16h09 GMT (13h09 Brasília)
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Não há espaço para queda de juros, diz diretor da Goldman Sachs

pregão na bolsa
Semana começa com turbulência nos mercados
A semana começou com queda nas bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos e aumento dos preços do petróleo, confirmando o cenário de turbulências que já vinha sendo observado nos mercados internacionais.

Nessas condições, o diretor de pesquisa de mercados emergentes do banco de investimentos Goldman Sachs, Paulo Leme, prevê que não há mais espaço para queda de juros no Brasil.

Segundo ele, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) não vai baixar a taxa de 16% ao ano na reunião de terça e quarta-feiras. Na verdade, ele acha que é possível, inclusive, que os juros subam para 16,5% ou 17% até dezembro.

Leme prevê ainda que a economia brasileira deve crescer cerca de 3% neste ano, e não mais os 3,5% que estavam nas estimativas da maioria do mercado. Para sair desse ciclo de baixo crescimento, ele recomenda mais reformas.

Gasolina

"Apesar de a inflação estar convergindo para as metas, os fatores externos, que vão desde a probabilidade de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos em junho, volatilidade dos mercados, aumento do risco país e, mais importante, a desvalorização do real e o risco de ter que ter um aumento expressivo da gasolina no Brasil vão pesar contra um corte de juros", disse Leme.

"Portanto, o cenário mais provável é que o Copom deixe a Selic inalterada na quarta-feira."

O diretor do Goldman Sachs argumenta, porém, que o cenário central da economia internacional ainda é favorável ao Brasil.

Ele observa que há um crescimento conjunto dos grandes blocos econômicos, como Estados Unidos, Ásia, Japão e China, com demanda por produtos brasileiros e aumento dos preços de commodities, mas há riscos.

"No curtíssimo prazo, esse risco dos preços do petróleo é importante para o Brasil. O aperto de política monetária nos Estados Unidos é um risco também, no sentido de que se for mais rápido e mais intenso do que o mercado espera, pode cercear o fluxo de capitais ao Brasil e, portanto, ter impactos cambiais desfavoráveis", alerta.

"Eu me atreveria a dizer que não é um cenário de crise para o Brasil, mas certamente porá pressão sobre as três grandes variáveis macroeconômicas, que são talvez ter um câmbio um pouco mais depreciado, ter uma taxa de juros mais alta e ter talvez um crescimento econômico menor do que teria sido."

Juros em alta?

O economista disse que não descarta um aumento na taxa de juros até o fim do ano, embora considere exagerada a projeção dos mercados futuros que indicam uma elevação de 200 pontos básicos (dois pontos percentuais).

"O cenário mais provável é que se mantenha a taxa de juros em 16% ou até um aumento de 50 ou cem pontos básicos até dezembro", previu Leme.

O diretor do Goldman Sachs prevê que "esses dois choques, que são aumento dos preços de petróleo e da taxa de juros mais alta nos Estados Unidos" não permitirão que a economia brasileira cresça 3,5% neste ano, como era previsto.

"Ainda acho que é factível crescer próximo de 3%, porque muito do crescimento já está nas estatísticas", disse.

Ele admite que um menor crescimento pode provocar preocupações com a sustentabilidade da dívida brasileira entre os investidores, mas considera que, se ocorrer, será pequena, porque a diferença entre as duas taxas de expansão da economia também é pequena.

Previdência

Leme defende a política econômica, "ela está acertada no plano monetário, fiscal e cambial, mas precisa ser suplementada por reformas estruturais especialmente na parte de abertura comercial e de reforma tributária".

Para ele, avanço nas reformas, onde ele inclui "uma verdadeira reforma da Previdência para reduzir seu déficit", é muito importante para gerar expectativas positivas em relação ao país e, dessa forma, "imunizar o máximo possível o Brasil contra os choques externos".

Segundo Leme, "o capital político do governo diminuiu, mas ainda é relativamente alto" e, portanto, o Executivo pode negociar e aprovar essas reformas no Congresso.

"Se temos algum precedente histórico de atuação do Congresso em crises econômicas, justamente nos desafios externos, a capacidade de reação do Congresso tem sido razoavelmente positiva. Na minha opinião, o que é necessário, na realidade é liderança por parte do Executivo, seja do presidente, seja também dos ministros", disse.

"Durante o fim de semana, o ministro Dirceu sinalizou exatamente essa possibilidade, de haver um acordo nacional, para haver entendimento político, para adiantar essas reformas exatamente para poder imunizar o país a esse tipo de choque. É um desafio importante, vai exigir coordenação política, vai exigir determinação e coragem, acho que é difícil, mas não é impossível."

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