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Mercado prevê mais aumento dos juros nos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O aumento anunciado pelo Fed, o Banco Central Americano de 0,25 ponto percentual nas taxas de juros americanas nesta quarta-feira - elevando as taxas para 1,25% ao ano, na primeira alta em 48 meses - não surpreendeu economistas ouvidos pela BBC Brasil. Os analistas também já estão certos de que o período de juros muito baixos terminou e que novas altas vão acontecer nas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto - o equivalente do Comitê de Política Monetária (Copom) brasileiro - até o fim do ano. "Há consenso no mercado de que as taxas vão subir. Quanto vão subir, ainda não está claro", disse o economista-chefe da Agência Moody's, em Nova York, John Lonsky. Por enquanto, a maioria dos analistas projeta que as taxas de juros até o fim de 2004 em 2,25%. Isso significaria um aumento médio de 0,25 ponto percentual em cada uma das quatro reuniões que Comitê de Mercado Aberto tem até o fim do ano. Déficit O economista-chefe para a América Latina do Instituto Internacional de Finanças (IIF) - instituição que reúne 300 instituições financeiras de 60 países -, Frederick Jaspersen, acredita que o tamanho do déficit fiscal americano pode afetar o ritmo com que as taxas de juros serão aumentadas. "O déficit está acima de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) agora. Se isto não for controlado, o Fed pode ser obrigado a apertar a política monetária para segurar a inflação", alertou. No mercado, os analistas também não estão tão seguros sobre a inflação quanto o Fed. O banco central americano afirma que "embora a inflação esteja um tanto elevada, uma parte do aumento nos últimos meses parece ser devido a fatores transitórios." "Mas uma coisa transitória que começa a durar muito tempo tem também suas influências na economia", disse o economista-chefe da agência Standard and Poor's, David Wyss. Petróleo O analista avaliou que a economia americana já acomodou os atuais preços do petróleo, mas ressalva que novos aumentos poderiam trazer problemas. "O maior fator de incerteza agora é até que ponto a inflação está de fato controlada", disse Wyss. O economista-chefe para a América Latina da agência de pesquisas Idea Global, Alberto Bernal, acredita que os juros nos Estados Unidos vão chegar a 2% no fim do ano, um pouco abaixo do que prevê a maioria dos analistas. "Acreditamos que o Fed vai passar uma das quatro reuniões sem aumentar os juros", disse. Brasil John Lonsky, da agência Standard and Poor's, diz que uma das razões que vai levar o Fed a ajustes graduais é exatamente para evitar que haja turbulências nos mercados emergentes, em especial na América Latina. "Não acreditamos que vai haver necessidade de aumentos nos juros do Brasil até o fim do ano", diz o analista. Para Alberto Bernal, existe o risco de alguma fuga de capitais do Brasil para os juros mais altos que serão pagos nos Estados Unidos, mas não acredita que o Banco Central vá aumentar as taxas brasileiras para evitar a saída do dinheiro. "A diferença é tão grande que um pequeno aumento de juros no Brasil não teria muito efeito", disse. Já John Lonsky acredita que as autoridades brasileiras vão ter de acompanhar de perto o que faz o Fed e reagir de acordo com as decisões dos americanos. "O Brasil pode ter de aumentar os juros em 0,5 ponto porcentual até o fim do ano para acompanhar as taxas nos Estados Unidos", disse. |
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