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Garoto que aparece em vídeo na escola de Beslan vira 'símbolo do sofrimento' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Aterrorizado, o garoto olha para a câmera no momento em que um homem mascarado passa sua mão, envolta em uma luva branca, pelo detonador que está debaixo de sua bota, em uma paródia macabra de um truque de mágica. A imagem mostrada em um vídeo que correu o mundo poderia ter sido a última de Georgy Farniyev, 10 anos, um entre centenas de reféns de uma escola na cidade russa de Beslan. Mas Georgy sobreviveu ao seqüestro, ao contrário de mais de 300 outros reféns, e sua aparição no vídeo garantiu que ele ganhasse a atenção da mídia, interessada em contar os detalhes de sua afortunada escapada. Clique no link abaixo para ver o vídeo. Mas suas mais recentes imagens, que mostram uma criança sorridente, não refletem os horrores presenciados durante os vários dias de cativeiro na escola. Graças à atenção recebida nos últimos dias, Georgy se tornou um símbolo do sofrimento enfrentado pelas vítimas do seqüestro de Beslan. "Eles disseram: Sentem-se e, se vocês fizerem qualquer barulho, vamos matar 20 crianças", contou Georgy ao repórter da BBC Andrew Burroughs. Alívio Acredita-se que a mulher e a garota que aparecem ao seu lado no vídeo estejam mortas. Mas Georgy deixou a escola apenas com cortes em uma perna e um braço, ferimentos que exigiram tratamento, mas não parecem ter gravidade. Sua mãe disse ao jornal britânico The Sun que várias horas passadas olhando no interior de sacos com cadáveres terminaram com um telefonema de um hospital, em que ela foi informada de que uma criança que correspondia à descrição de Georgy havia sido encontrada viva. "Era a pior tortura imaginável, cada vez que eu olhava dentro dos sacos com restos mortais de crianças", disse ela. "Eu sempre achava que estava prestes a ver o rosto de meu filho morto, e a cada vez eu sentia o mais inacreditável alívio antes de voltar à fila e fazer o mesmo novamente." Sem entender Ainda não está claro como Georgy consegui escapar vivo da escola, evitando as trocas de tiros entre rebeldes e soldados russos e as explosões que derrubaram o teto do edifício. Ele disse ao The Sun que estava a apenas cinco metros do local onde explodiu a primeira mina dentro da escola no sábado. "A explosão aconteceu muito perto de mim, e eu ainda não entendo como não fui morto", disse Georgy. "Eu me sentei e fiquei atordoado enquanto todas as outras pessoas pareciam estar gritando." Ele conta que pediu a um dos seqüestradores se podia beber um pouco de água e se dirigiu a uma sala onde uma torneira havia se rompido. Em seguida, uma nova explosão, atrás de onde ele estava, sacudiu o prédio. 'Como um camundongo' Georgy voltou então a uma sala onde várias pessoas tinham sido mortas. "Havia partes de corpos, pernas e braços, por todos os lados e pessoas feridas gritando por ajuda enquanto homens armados seguiam atirando nelas." "No meio disso tudo estava uma mulher morta que tinha sido cortada em duas partes por uma das bombas." "Todos no lugar onde eu estava sentado antes foram mortos pelas explosões." Pouco depois, Georgy sentiu um par de mãos lhe segurando. "Pensei que ia ser morto, mas era um soldado", disse o menino. "Eu não podia acreditar. Eu iria sobreviver." Ele contou que procurou ficar "quieto como um camundongo" durante o tempo em que passou dentro da escola. |
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