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Atualizado às: 03 de setembro, 2004 - 21h01 GMT (18h01 Brasília)
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'Eles davam tiros para o teto para calar os bebês', conta refém
Menino liberto é carregado
Feridos foram levados para o hospital em estado de choque
Uma professora, libertada nos primeiros dias do seqüestro, estimou que existiam cerca de 1.500 reféns dentro do prédio.

“As crianças eram levadas ao banheiro em fila. Se os bebês começassem a chorar, os seqüestradores atiravam para o teto e ordenavam que eles parassem", disse.

Um garoto, libertado nesta sexta-feira, pálido e visivelmente angustiado, disse aos repórteres que ficou tão chocado quando se viu livre, que não reconheceu seus pais.

Diana, outra sobrevivente, disse que as pessoas não tinham o que comer ou beber. “Fomos forçados a urinar em garrafas e beber nossa própria urina”, disse ela.

Destroços

Muitas das crianças libertadas na sexta-feira vestiam roupas de baixo.

Dois garotos, um deles machucado, disseram à TV russa que a explosão lhes deu a oportunidade de escapar.

O que está machucado disse que se acidentou ao tentar quebrar janelas, junto com outros garotos.

“As pessoas não conseguiam sair e estavam destruindo as janelas”, disse ele.

“Tivemos sorte de encontrarmos janelas de plástico.”

“Vi gente correndo em todas as direções. Cerca de 200 a 300 pessoas estavam correndo na mesma direção que nós.”

O garoto disse que os seqüestradores abriram fogo sobre os reféns que tentavam fugir.

“Eles atiravam do teto do prédio”, disse ele.

Os garotos disseram que a primeira explosão gerou muita fumaça. A segunda, fez voar destroços em chamas.

Banheiro

Rita Gadzhinova, uma professora de física, foi libertada pelos invasores junto com sua filha de 3 anos. Os seqüestradores não deixaram que ela levasse suas outras duas filhas, de 11 e 14 anos.

Falando para um jornal russo, ela disse que o grupo assumiu o controle da escola em questão de minutos, mantendo 1.500 pessoas como reféns, de acordo com seus cálculos.

Os seqüestradores mantiveram as pessoas cativas no ginásio de esportes, onde, segundo ela, puseram duas grandes bombas nas duas cestas de basquete.

A professora disse que os seqüestradores nunca retiraram suas máscaras e sempre se comunicavam em sussuros, falando russo com sotaque checheno ou ingushétio.

Rita disse não ter idéia de quantos seriam eles. A professora disse não ter visto nenhuma mulher entre os integrantes do grupo.

Ela afirmou que eles atiraram no teto para intimidar os reféns, mas não chegaram a atacar nenhuma pessoa.

Os reféns homens, entretanto, eram regularmente colocados contra as janelas para servirem de escudo humano, disse a professora.

“As crianças pequenas estavam com muito medo mas mantiveram a disciplina, apesar de, por causa desse medo, pedirem para ir ao banheiro constantemente.”

Feridos

Outra refém, Zalina Dzandarova, disse que duas seqüestradoras tinham se explodido, durante o primeiro dia do seqüestro, no corredor da escola, matando alguns homens.

Ela também calculou que cerca de 1.500 reféns estavam sendo mantidas em cativeiro e estimou os seqüestradores em 30 pessoas.

Ela disse que os homens armados atiraram em pelo menos 20 pessoas durante o primeiro dia do seqüestro.

Eles mataram todos os feridos durante a invasão da escola, além de qualquer um que mostrasse resistência, disse ela.

“Alguns dos feridos foram levados para fora do ginásio e mortos no corredor”, disse Zalina.

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