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Atualizado às: 03 de setembro, 2004 - 17h29 GMT (14h29 Brasília)
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Trauma deve abalar crianças por anos, diz psicóloga

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Especialista diz que 11 de setembro causou traumas semelhantes
As crianças que foram feitas reféns em uma escola no sul da Rússia devem sofrer as conseqüências dos traumas vividos no episódio por pelo menos dois anos e algumas delas podem nunca se recuperar.

A avaliação é da psicóloga Lesley Perman-Kerr, da empresa Vivant Artemis e consultora do grupo Control Risks - empresa que, entre outras atividades, participa de negociações para a solução de seqüestros e assessora as vítimas.

Perman-Kerr também acredita que a escola – que foi semidestruída durante a libertação dos reféns – não deveria ser reaberta para evitar que alunos e funcionários voltem a viver o "inferno" que foram obrigados a enfrentar desde quarta-feira.

"O trauma é um pouco como levar um soco do Mike Tyson. Você absorve tudo de uma vez, mas depois é como um vídeo que fica se repetindo na sua cabeça", explica Perman-Kerr.

A especialista ressalta que não há reação padrão para situações traumáticas e lembra que em outros casos, como os atentados de 11 de setembro de 2001, os impactos variaram muito de testemunha a testemunha.

Recuperação longa

Justamente por isso, para a psicóloga, mesmo que recebam ajuda adequada, algumas das vítimas podem jamais superar o trauma vivido nos últimos dias.

"Pessoas que perderam os pais ou os filhos nessa crise talvez nunca mais consigam se recuperar totalmente."

A especialista afirma ser necessário que as vítimas tentem ao máximo voltar às suas rotinas normais e que se sintam cercadas por muita estabilidade, carinho e companhia.

"É normal que crianças apresentem sinais de regressão e voltem a chupar o dedo, fazer xixi na cama e mostrando sinais de confusão mental", afirma a psicóloga.

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Voltar à escola poderia reavivar o trauma dos sobreviventes

Para Perman-Kerr, as crianças não deveriam voltar à escola em que viveram dias de terror.

"Voltar para lá seria quase como voltar ao que aconteceu lá e poderia disparar processos internos que os 'retraumatizariam'", diz a especialista.

No entanto, Perman-Kerr acredita que os alunos da escola deveriam ser mantidos juntos durante a recuperação do trauma que viveram.

Para ela, é importante também que as mortes que aconteceram em conseqüência do episódio sejam devidamente celebradas e que as pessoas tenham tempo para se recuperar.

"Cada pessoa tem o seu tempo. Muitas vezes, a recuperação é atrasada por pessoas dizendo 'deixe isso para trás e cresça'", diz a psicóloga.

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