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Trauma deve abalar crianças por anos, diz psicóloga | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As crianças que foram feitas reféns em uma escola no sul da Rússia devem sofrer as conseqüências dos traumas vividos no episódio por pelo menos dois anos e algumas delas podem nunca se recuperar. A avaliação é da psicóloga Lesley Perman-Kerr, da empresa Vivant Artemis e consultora do grupo Control Risks - empresa que, entre outras atividades, participa de negociações para a solução de seqüestros e assessora as vítimas. Perman-Kerr também acredita que a escola – que foi semidestruída durante a libertação dos reféns – não deveria ser reaberta para evitar que alunos e funcionários voltem a viver o "inferno" que foram obrigados a enfrentar desde quarta-feira. "O trauma é um pouco como levar um soco do Mike Tyson. Você absorve tudo de uma vez, mas depois é como um vídeo que fica se repetindo na sua cabeça", explica Perman-Kerr. A especialista ressalta que não há reação padrão para situações traumáticas e lembra que em outros casos, como os atentados de 11 de setembro de 2001, os impactos variaram muito de testemunha a testemunha. Recuperação longa Justamente por isso, para a psicóloga, mesmo que recebam ajuda adequada, algumas das vítimas podem jamais superar o trauma vivido nos últimos dias. "Pessoas que perderam os pais ou os filhos nessa crise talvez nunca mais consigam se recuperar totalmente." A especialista afirma ser necessário que as vítimas tentem ao máximo voltar às suas rotinas normais e que se sintam cercadas por muita estabilidade, carinho e companhia. "É normal que crianças apresentem sinais de regressão e voltem a chupar o dedo, fazer xixi na cama e mostrando sinais de confusão mental", afirma a psicóloga.
Para Perman-Kerr, as crianças não deveriam voltar à escola em que viveram dias de terror. "Voltar para lá seria quase como voltar ao que aconteceu lá e poderia disparar processos internos que os 'retraumatizariam'", diz a especialista. No entanto, Perman-Kerr acredita que os alunos da escola deveriam ser mantidos juntos durante a recuperação do trauma que viveram. Para ela, é importante também que as mortes que aconteceram em conseqüência do episódio sejam devidamente celebradas e que as pessoas tenham tempo para se recuperar. "Cada pessoa tem o seu tempo. Muitas vezes, a recuperação é atrasada por pessoas dizendo 'deixe isso para trás e cresça'", diz a psicóloga. |
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