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Atualizado às: 03 de setembro, 2004 - 17h56 GMT (14h56 Brasília)
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Seqüestro de escola coloca Putin na defensiva

Vladimir Putin
Putin foi um expião da KGB, o serviço secreto soviético
O presidente russo, Vladimir Putin, vai ter de se defender em duas frentes após o trágico fim da ocupação da escola na província da Ossétia do Norte.

Ele terá que mostrar que manteve a promessa de não colocar em risco as vidas das crianças. Putin só pode fazer isso se provar que as forças de segurança estavam respondendo uma ameaça e não a provocando.

O grande número de vítimas torna mais difícil essa tarefa.

Em segundo lugar, ele vai ter que defender sua política em relação à Chechênia.

Al Qaeda

Sua postura de negar a independência para a região é o pano de fundo para a tomada da escola, além de um ataque suicida em uma estação do metrô de Moscou e as explosões de duas aeronaves em pleno ar.

“Ele pode usar isso em seu favor e vir com uma defesa agressiva de sua posição”, diz Dr. Sean McCough, do Departamento de Política da Universidade de Birmingham.

“Essa foi uma declaração de guerra contra o povo russo. Cada incidente que acontece vem com mais ferocidade do que o anterior, e esse feriu o que existe de mais caro para a população, a segurança de suas crianças”, ele disse à BBC.

“O presidente Putin terá uma boa defesa se conseguir culpar os seqüestradores. Ele pode dizer que com esse tipo de gente não existe acordo, que eles devem ser combatidos e derrotados.”

“Ele pode tentar combater o terrorismo dentro da própria Rússia, fortalecendo a força policial e a repressão. Internacionalmente, ele pode dizer que os chechênos têm ligações com a Al Qaeda.”

Promessas

Manter crianças como reféns vai fazer com que os rebeldes chechênos percam simpatia internacional e vai ajudar o ponto de vista russo.

Uma característica da guerra chechêna é a ausência de pressão sobre a Rússia, que conseguiu ligar o conflito com a guerra ao terrorismo liderada pelos Estados Unidos.

A Casa Branca já expressou sua solidariedade com Rússia, chamando o seqüestro na escola de “barbárico”.

“Os líderes ocidentais não vêm atacando Putin sobre a maneira como a Rússia lida com a Chechênia porque ele os convenceu que está lutando a guerra contra o terrorismo ao lado deles”, diz Archie Brown, professor de política na Universidade de Oxford.

A defesa de Putin terá que ser boa. Ele chegou ao poder e foi reeleito com a promessa de estabilizar a Chechênia e promover segurança para o povo russo. Putin não pode dizer que foi bem-sucedido.

Reputação

As forças armadas russas também não lidaram com o seqüestro na escola de acordo com a imagem de eficiência que Putin procura transmitir.

Entretanto, líderes que não derrotam o terrorismo não são necesariamente punidos. Quando confrontadas por um perigo comum, as populações geralmente fortalecem a posição de seu líder. Este é o caso do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, por exemplo.

Uma opção para a Rússia poderia ser a retomada do diálogo com chechênos moderados como Aslan Maskhadov, que já disse que suas forças não foram responsáveis pelo seqüestro na escola.

Várias vezes no passado ele disse que poderia suavizar a exigência de independência da Chechênia se os russos encerarem sua ocupação militar.
Até agora, Maskhadov vem sendo considerado por Putin como apenas "mais um terrorista".

“É provável que exista um longo período de debate e discussões sobre a Chechênia”, diz Sean McGough.

"O problema é que os chechênos brigam entre eles mesmos e não existe ninguém que fale pela maioria. Se existir uma renovação do processo de paz, os elementos radicais vão tentar destruí-lo. Podem existir mais atrocidades.”

“A longo prazo, a questão da saída russa da Chechênia pode aparecer, mas é muito cedo para isso. Além do que, uma retirada pode ser extremamente complicado para Putin já que sua própria reputação estaria em risco.

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