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Atualizado às: 06 de setembro, 2004 - 03h31 GMT (00h31 Brasília)
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Seqüestradores podem ser chechenos, russos ou árabes

Shamil Basayev
Shamil Basayev é um líder rebelde checheno
A confusão impera quando se fala da identidade do grupo que tomou a escola na Ossétia do Norte, fazendo reféns mais de mil crianças, pais e professores.

A versão oficial russa diz que os seqüestradores eram um grupo multinacional ligado aos líderes rebeldes radicais chechenos Shamil Basayev e Doku Umarov, financiados pela rede Al-Qaeda.

Apesar de alguns reféns terem afirmado que reconheceram Doku Umarov em fotos mostradas pelos investigadores, poucas evidências foram apresentadas para comprovar a alegação.

As autoridades inicialmente disseram que havia nove ou dez árabes entre os seqüestradores – possivelmente em uma tentativa de sustentar sua tese de envolvimento da Al-Qaeda – mas alguns sobreviventes disseram que não viram árabes na escola.

Analistas ocidentais dizem que ainda não se provou se existe uma ligação direta entre a Al-Qaeda e os líderes rebeldes chechenos – mas sabe-se que os rebeldes recebem dinheiro de simpatizantes muçulmanos estrangeiros, e que árabes ocupam posições-chave na sua hierarquia.

'Loucos'

O líder checheno Aslan Maskhadov condenou o seqüestro à escola.

Em um comunicado divulgado neste domingo, ele descreveu os seqüestradores como "loucos", mas implicitamente reconheceu o envolvimento checheno ao dizer que "atos de terror são realizados por pessoas que desejam vingança contra atos de brutalidade por parte das tropas russas, mas que estão fora de si".

Mais cedo, o enviado de Maskhadov na Europa, Ahmed Zakayev, afirmou que soube pelo ex-líder da Inguchétia Ruslan Aushev que os seqüestradores não eram chechenos.

Curiosamente, o jornal Kommersant de sexta-feira deu algum apoio a essa teoria, dizendo que investigadores suspeitam que os líderes do seqüestro – ou pelo menos aqueles que fizeram as negociações – eram Magomet Yevloyev, um combatente da etinia ingushétia muito próximo a Basayev; Vladimir Khodov, da Ossétia do Norte; e um russo desconhecido, possivelmente um dos guarda-costas de Basayev.

Se se for provado que os chechenos não estavam na base da ação em Beslan, o desenvolvimento será outro.

Apoio

O seqüestro poderia ser uma seqüência do ataque ao ministro do Interior da Inguchétia em junho, em que acredita-se que muitos – ou a maioria dos estimados 200 militantes – eram da própria Inguchétia e não chechenos.

Pode ser ainda um sinal do crescente apoio à causa chechena – ou para os radicais islâmicos no norte do Cáucaso.

O website pró-rebeldes Kavkaz Center sugere que Khodov era líder de um grupo militante islâmico na Ossétia do Norte, apesar de isso parecer uma tentativa deliberada de promover a idéia de começar uma guerra santa na Chechênia.

Quer isso seja verdade, quer não, o ataque em Beslan ajuda a confirmar que os radicais chechenos se alinharam eficientemente ao moderado Aslan Maskhadov, mesmo que ele ainda seja oficialmente o líder deles.

As autoridades russas podem estar certas em apontar para Shamil Basayev, que realizou o primeiro grande seqüestro checheno, na cidade de Budyonnovsk em 1995, e que diz ter idealizado a tomada a um teatro em Moscou, em 2002, que levou a 129 mortes.

Diferente de Maskhadov, ele enxerga os civis russos como alvos legítimos, apesar de nunca antes ter escolhido crianças como vítimas principais.

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