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Atualizado às: 06 de setembro, 2004 - 01h01 GMT (22h01 Brasília)
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'Juro por Alá que não atirei', diz suposto seqüestrador
Suposto seqüestrador é mostrado na TV russa
Homem não identificado diz 'ter sentido pena das crianças'
Um homem acusado de ser um dos seqüestradores da escola de Beslan, na Rússia, deu uma entrevista para a emissora de televisão estatal do país na noite deste domingo.

Com as mãos presas atrás do corpo, o homem de olhar amedrontado aparece sendo levado por dois policiais encapuzados até uma sala, onde foi rapidamente entrevistado por um jornalista da estatal.

Ele disse que não queria morrer no seqüestro e que, sendo pai, sentiu pena das crianças tomadas como reféns.

Centenas de funerais foram realizados neste domingo. A partir desta segunda-feira, a Rússia vive dois dias de luto oficial.

Autoridades russas dizem que pelo menos 335 pessoas morreram no seqüestro, que começou na última quarta-feira e atingiu seu ponto crítico na sexta-feira, com a tomada da escola pelas forças do país.

Mas correspondentes da BBC em Moscou afirmam que dados não oficiais dão conta de que o número de mortos esteja perto de 400.

Contraditórias

Informações sobre o número de seqüestradores e sobre o que ocorreu com ele também têm sido vagas e contraditórias.

As autoridades chegaram a dizer até que todos os rebeldes que participaram da ação – cerca de 30 – foram mortos.

O homem que apareceu na televisão teria raspado a barba para tentar fugir junto com os reféns quando o seqüestro parecia ter chegado ao fim.

Perguntado por um repórter da emissora estatal sobre se sentia pena das crianças reféns, o homem respondeu: "Eu juro por Alá que senti pena delas. Também tenho filhos".

Quando questinado sobre se teria disparado contra os reféns, ele disse: "Eu juro por Alá que não atirei, juro que não atirei".

Mas em seguida, pressionado pelo entrevistador, o homem se tornou menos coerente.

"Eu não queria morrer em qualquer lugar. Eu não quero morrer em qualquer lugar", afirmou.

Seu sotaque sugere que ele vem da região da Ossétia do Norte.

Segundo os correspondentes da BBC, o tom da reportagem era ligeiramente "triunfalista" e terminou com imagens dos corpos dos seqüestradores mortos sobrevoados por moscas.

Funerais

Em Beslan, os funerais começaram no domingo com o enterro de 24 das vítimas da tragédia em um campo na periferia da cidade.

Ainda neste domingo, 150 outras covas foram abertas e mais e mais mortos eram identificados.

Mas muitas das famílias ainda não sabe o que aconteceu com as suas crianças. Cerca de 200 pessoas seguem desaparecidas, oficialmente.

Muitos podem estar em hospitais e não terem conseguido se identificar porque são ou muito jovens ou muito traumatizados para darem seus nomes.
Muitos corpos encontrados estavam tão mutilados que não poderiam ser reconhecidos.

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