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Atualizado às: 11 de agosto, 2004 - 16h27 GMT (13h27 Brasília)
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Segurança é o grande desafio do governo Kirchner

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Argentinos passaram a temer mais a violência do que a economia
Pela primeira vez em 20 anos, a segurança pública é o maior desafio para um governo argentino. Antes, o problema era a economia. Mas com o país crescendo a um ritmo de 7% anual, os roubos, seqüestros e assaltos passaram a ser a maior preocupação dos argentinos.

As conclusões são do cientista político Rosendo Fraga, do Instituto Centro de Estudos União para a Nova Maioria, a partir de pesquisas de opinião e dados oficiais sobre a economia e a criminalidade.

"Esse é o ponto crítico da gestão do presidente Néstor Kirchner, como foi a economia para seus antecessores", confirma Rosendo.

O cientista político diz que a criminalidade é o item que mais vem afetando a imagem presidencial, com uma queda de cerca de 20% registrada nos dois últimos meses, quando a insegurança passou a ser tema central para a população nacional.

Os argentinos, diz Fraga, ainda não sabem qual será a saída do governo para devolver a segurança que se tinha no país até pouco tempo. Mais de um ano depois de tomar posse, o presidente demitiu o ministro da Justiça e da Segurança, Gustavo Beliz, o primeiro a deixar o governo.

Saída

Beliz deixou o cargo apenas quatro meses depois de ter anunciado um pacote de 21 medidas para combater a insegurança pública.

O plano incluia a criação de uma espécie de FBI nacional, com a formação de um grupo de investigadores especiais, mas esta e outras seis medidas ainda não foram enviadas ao Congresso Nacional e o governo estuda uma nova bateria de medidas preventivas, segundo fontes oficiais, para tentar conter a criminalidade.

O plano foi lançado uma semana depois que o empresário Juan Carlos Blumberg liderou a maior manifestação da história da democracia argentina para pedir justiça pelo seqüestro e morte do seu único filho, Axel.

O próprio Blumberg reuniu assinaturas dos populares e convenceu os parlamentares a discutir medidas de sua autoria, como a redução de 18 anos para 14 anos da idade para aplicação de penas e a prisão perpétua para seqüestros seguidos de morte.

Segundo dados oficiais, nos últimos 15 meses, entre janeiro de 2003 e maio de 2004, foram denunciados 367 seqüestros na província de Buenos Aires.

Aumento

O número supera em cerca de 15% os do ano anterior, mas em termos globais as cifras sobre a criminalidade vem caindo, apesar do crescimento da "sensação de insegurança", como afirmou o governador da província de Buenos Aires, Felipe Solá.

Para ele, o maior desafio é combater os seqüestros, que, muitas vezes, como no caso de Axel, contariam com a cumplicidade da polícia provincial, chamada de "bonaerense".

Só no mês de junho, 497 roubos e furtos foram registrados por dia na província de Buenos Aires, que representa quase 40% da população e do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

No total, incluindo outras modalidades como homicídios e seqüestros, foram 15.121 casos, cerca de 10% menos que no mês de maio.

Para uma das principais especialistas no assunto, Paola Spatola, a insegurança pública começou a crescer na Argentina a partir da crise econômica e política vivida pelo país no ano 2000.

Com a disparada do desemprego e a falta de perspectivas de então, surgiram, por exemplo, os chamados "seqüestros express" – seqüestros relâmpagos.

Segundo Paola, nas "villas miserias", nome como são conhecidas as comunidades carentes do país, o resgate é pago até com eletrodomésticos.

Tráfico

Nas áreas urbanas, o governo e a especialista desconfiam que o dinheiro do seqüestro, que envolve vítimas como empresários e ameaça a jogadores de futebol, é usado para financiar o tráfico de drogas, o que também não existia na Argentina.

Em 1991, segundo dados oficiais, citados pela especialista, 700 mil delitos foram registrados. Em 2003, esse número saltou para um milhão e meio.

No mês passado, pesquisa comandada pela consultoria Convergia Cidadã, dirigirida por Paola Spatola e especializada em insegurança, revelou que sete de cada dez argentinos foram vítimas de algum roubo ou outro crime.

Apesar de tudo isso, segundo as Nações Unidas, a Argentina mantém a melhor qualidade de vida da América Latina.

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