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Johanesburgo tenta reduzir violência com segurança privada | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Considerada capital mundial do crime após as primeiras eleições multiraciais e democráticas, em 1994, Johanesburgo assistiu nos últimos anos a uma redução da taxa de criminalidade na região central, mas continua a ser a cidade mais violenta da África do Sul, de acordo com estatísticas do governo. A relativa 'melhoria' é reflexo de uma iniciativa privada lançada em abril de 2000, quando o centro da cidade já se encontrava quase 'deserto' e à mercê de sindicatos do crime. Por iniciativa do empresariado local, a companhia de vigilância privada Cueincident instalou microcâmeras para filmar ruas da cidade com o objetivo de proteger o patrimônio do município, avaliado em US$ 50 milhões de dólares. O resultado, diz a empresa, foi uma redução da taxa de criminalidade superior a 80%. "O nosso sistema é único no mundo já que temos a possibilidade de vêr e seguir todos os passos de quem anda na rua", diz o diretor de relações públicas da empresa, Neville Huxman. "O que fazemos é monitorar toda a atividade da cidade durante 24 horas, sete dias por semana. Cada operador tem uma área da cidade para observar", afirma Huxman. "O nosso método reside em observar a linguagem corporal de quem anda pelas ruas da cidade." "Toda essa informação é analisada nesta sala de operações e transmitida de imediato à polícia, que faz depois o acompanhamento de cada incidente ou atividade suspeita que registamos através das câmeras." Campanha Os críticos dizem que as estatísticas da Cueincident são "pura campanha de relações públicas" e constratam com a realidade urbana que se vive em Johanesburgo. Zélia Campbell, diretora do Departamento Latino Americano da universidade Unisa, em Pretória, afirma que a falta de policiais nas ruas da cidade é a principal causa do problema. "O pessoal ainda tem medo. Ninguém sai nas ruas quando não precisa. Acho que a populaçcao não acredita muito nessas câmeras porque quando a pessoa sai na rua não vê policial nenhum." Uma recente pesquisa de opinião sobre o crime no centro de Joanesburgo indica que muitos residentes estão dispostos a abdicar de algumas das suas liberdades e direitos civis para tornarem a área mais segura. A pesquisa, publicada pelo Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla em inglês), em março de 2003, diz que mais de 80% dos entrevistados aceitam a idéia de a polícia revistar as suas casas uma vez por mês, se isso ajudar a reduzir o crime. Um terço dos 1,3 mil entrevistados é a favor da execução dos traficantes de droga e 70% daqueles que já foram alvos de uma operação policial na sua área de residência dizem que a iniciativa contribuiu para melhorar a situação. Criminalidade "Joanesburgo é uma das cidades com maior indíce de criminalidade. É díficil de avaliar qual é a pior, mas Johanesburgo realmente não é o lugar mais seguro para se viver", diz Adam Roberts, correspondente da publicação britânica The Economist na capital africana.
"Por tradição histórica, este país é desigual na forma como a riqueza é distribuída. Existe também todo um histórico de violência", afirma Roberts. "A África do Sul teve períodos de grande violência durante a luta contra o Apartheid. A polícia era extremamente repressiva." "Acho que no centro da cidade, onde estão sendo utilizadas câmeras para monitorar o crime, as autoridades têm tido sucesso e estão conseguindo combater o crime violento no centro de Johanesburgo", comenta o jornalista. "Mas a questão é que se olharmos para além do centro, vemos que em outras áreas da cidade não existem melhorias", acrescenta. "Um dos aspectos mais importantes para se reduzir o crime é cortar a fonte de violência que assusta as pessoas." Periferia "Podemos dizer que realmente o crime têm diminuído em certas áreas da cidade de Johanesburgo, mas não alcança toda a população. A violência têm aumentado nos squater camps, que seriam as favelas no Brasil, onde moram as pessoas de menor renda", diz Diego Lopes, pastor da Igreja Portuguesa de Ekhurlukeni, no leste industrial de Johanesburgo. De acordo com o pastor brasileiro, que visita semanalmente várias favelas na periferia de Johanesburgo, um outro problema que faz aumentar a violência dentro das favelas nas regiões pobres da cidade é a emigração ilegal. "As pessoas dos países vizinhos vêem para cá procurando emprego e como não conseguem acabam entrando na vida do crime", diz Lopes. Apesar das críticas, o pastor faz questão de sublinhar sua preferência por Johanesburgo. "Eu definitivamente me sinto mais seguro em Johanesburgo do que em São Paulo. A diferença em Johanesburgo é o fato de o crime ainda estar ligado à pobreza", afirma. "Em São Paulo, nós temos uma grande taxa de criminalidade dentro do crime organizado, que é o tráfico de drogas, e esse tipo de crime alcança todas as classes sociais, todas as áreas de São Paulo." "Por mais crime que exista aqui, ainda temos como identificá-lo, assim como as áreas onde ocorrem a maior parte desses crimes", conclui o brasileiro. |
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