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Atualizado às: 06 de agosto, 2004 - 13h44 GMT (10h44 Brasília)
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Política social reduz níveis de violência em Bogotá

Praça em Bogotá
Governo da cidade investiu na recuperação de espaços públicos
A estratégia de segurança adotada na capital colombiana, Bogotá, desde 1995 mudou a cara da cidade, tradicionalmente conhecida como uma das mais violentas da América Latina.

Com a realização de campanhas pedagógicas e de desarmamento voluntário, investimentos na modernização e profissionalização da polícia e uma política de inclusão social, os níveis de violência foram reduzidos na capital colombiana.

Apesar de ainda manter altos índices, a cidade de 7 milhões de habitantes deixou para atrás a imagem de grande matadouro da época em que o narcotraficante Pablo Escobar era vivo.

Em Bogotá, o número de homicídios por grupo de 100 mil habitantes caiu de 70, há nove anos, para 24, em 2003. Com isso, a cidade tem aos se afastado da violência que assola outras áreas do país, que está em guerra civil há 40 anos.

As estatísticas, no entanto, não incluem seqüestros relâmpagos, em que a vítima só é libertada depois de retirar dinheiro do banco, chamados na Colômbia de "passeio milionário".

Casos deste tipo continuam a ocorrer, mas muitos não são denunciados. Oficialmente, a polícia colombiana considera seqüestro apenas crimes em que a vítima é mantida em poder de seqüestradores por pelo menos alguns dias.

Questão de saúde pública

"As últimas administrações têm abordado a violência como um problema de saúde pública", diz Teófilo Vásquez, sociólogo do Centro de Investigação e Educação Popular (Cinep). "A concepção de segurança foi ampliada e hoje é muito mais integrada."

Antanas Mockus
Estratégia começou na gestão do excêntrico Antanas Mockus

Segundo Vásquez, ao contrário de outras cidades colombianas, Bogotá tem uma política de segurança que vai além do financiamento ao aparato de repressão.

De acordo com o sociólogo, há um entendimento de que o problema da segurança não é apenas policial e militar, é também social, político, econômico e cultural.

"Trabalhamos com prevenção através da cultura cidadã", afirma Adalgiza Reyes, diretora de Segurança Cidadã da prefeitura. "Entendemos que a polícia não pode fazer muito sem a ajuda civil e investimentos sociais. Segurança também tem a ver com urbanização, iluminação e com as condições de vida da população."

Adalgiza diz que a prefeitura desenvolve projetos sociais nos bairros mais perigosos, para tentar melhorar a situação dos moradores e reduzir a violência cotidiana.

Êxito

Outra iniciativa do município é um trabalho sistemático de recuperação de espaços públicos, prevenção a acidentes de trânsito e capacitação de mediadores de conflitos.

 Muitos delitos não são denunciados porque as pessoas acham que as autoridades não têm credibilidade.
Marcela Gutiérrez, diretora do Centro de Investigação em Política Criminal da Universidade Externado

Por conta destas medidas e de outras, como a construção de ciclovias, a destinação de mais zonas verdes para o lazer e a tentativa de aprimorar a qualidade dos serviços públicos, Bogotá recebeu vários prêmios internacionais, que reconheceram o êxito da cidade na redução da violência.

A estratégia vitoriosa foi iniciada na primeira gestão na prefeitura do excêntrico Antanas Mockus, que governou a capital colombiana por duas vezes (de 1995 a 1997 e de 2001 a 2003).

Com inúmeras brincadeiras, Mockus conseguiu promover campanhas educativas e popularizar entre os bogotanos o termo cultura cidadã, um processo de maior identificação de todos os setores da sociedade com a cidade.

Mockus, que se fantasiou de Super-Homem e Grilo Falante e costumava proibir os homens de sair às ruas no Dia Internacional da Mulher, determinou que os bares e discotecas deixassem de vender bebidas alcoólicas a partir de 1h da manhã.

Quando estava no poder, o ex-prefeitou também apertou a ficalização para quem vendesse álcool a menores de idade e promoveu várias campanhas de desarmamento.

Setores marginalizados

O atual prefeito Lucho Garzón decidiu manter algumas das iniciativas de Mockus e concentrou esforços nos setores mais marginalizados da capital.

Na opinião de Marcela Gutiérrez, diretora do Centro de Investigação em Política Criminal da Universidade Externado, Garzón está correto.

"Em muitos bairros não existe participação cidadã, o sentimento de insegurança é grande e as pessoas estão acostumadas a resolver os conflitos se vingando de maneira violenta", diz Marcela. "Muitos delitos não são denunciados porque as pessoas acham que as autoridades não têm credibilidade."

Pablo Escobar, com a mulher e o filho
Bogotá mudou em relação à época em que Pablo Escobar era vivo

Stela Sacipa, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Javeriana, afirma que a impunidade é outro fator importante no aumento da violência.

"O mau exemplo dos dirigentes políticos, que violam as leis e não são castigados severamente, leva uma mensagem negativa aos jovens", afirma Stela. "Eles entendem que podem fazer qualquer coisa, porque não existem penas reais."

Segundo a professora, os problemas econômicos e o conflito interno – protagonizado por guerrilheiros de esquerda, paramilitares de direita e as Forças Armadas – são os principais fatores da violência.

Os tráficos de drogas e de armas, de acordo com Stela, criaram a cultura do dinheiro fácil. No entanto, diz a professora, o impacto disso não é grande na criminalidade urbana.

"Diferente do que ocorria na época de Pablo Escobar, os carros-bomba não explodem com freqüência em Bogotá", afirma. "No entanto, há muitos jovens assassinados todos os dias por gangues de limpeza social, formadas pelos grupos armados ilegais."

Para o sociólogo Teófilo Vásquez, Bogotá vive hoje uma relativa calma se comparada aos níveis de violência urbana de São Paulo e Rio de Janeiro ou de outras cidades colombianas como Medellín e Cali.

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