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Análise: Relatório tem conclusões sérias, mas não dá nome aos bois | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O relatório Butler representa uma denúncia do modo como a Grã-Bretanha foi levada à guerra contra o Iraque. As informações de inteligência na qual a ação foi baseada eram falhas e foram depois apresentadas para o público por chefes de segurança e pelo governo sem reservas. Houve "alguma tensão" entre o desejo do governo de apoiar a sua causa para a guerra e o "padrão normal de avaliação objetiva" dos chefes de inteligência. Em particular, a afirmação infame de que Saddam Hussein poderia usar armas de destruição em massa em 45 minutos não deveria ter sido incluída no documento que justificou a guerra da forma como foi. A maneira com que o Comitê de Inteligência Conjunta (JIC, na sigla em inglês) e seu chefe, John Scarlett – promovido pelo primeiro-ministro para a liderança do Serviço Secreto de Inteligência –, se envolveram na preparação do dossiê e concordaram em tomar posse dele também foi criticada como um erro. Nomes Mas, chegando a essas conclusões sérias e controversas, Butler parou por aí. Não era seu trabalho ir além para ver como as informações de inteligência foram usadas, daí o motivo pelo qual os liberais-democratas e os conservadores se recusaram a tomar parte. Quando chegou o momento de dizer quem era o responsável pelo modo com que a inteligência foi "vendida" ao público e ao Parlamento, ele não deu nome aos bois. A responsabilidade foi "coletiva" – Butler destacou que não havia indicações de que o governo ou o primeiro-ministro não tenham agido em boa-fé. Portanto, especulações de que John Scarlett, o ex-assessor de comunicação Alastair Campbell, o chefe de gabinete, Jonathan Powell, e até mesmo o próprio Blair seriam alvos de críticas se provaram sem fundamento. Mais tarde, na Câmara dos Comuns, o primeiro-ministro estava feliz em declarar que as apostas sobre seu futuro pararam. Questões Mas, em outra de suas performances incrivelmente autoconfiantes, ele insistiu que ainda acreditava que tinha feito a coisa certa. Muitos parlamentares – em especial o líder do Partido Liberal Democrata, Charles Kennedy – estavam claramente frustrados com o fato de que, mais uma vez, as questões principais não foram tocadas diretamente. Contudo, havia o suficiente para que Michael Howard, do Partido Conservador, pudesse fazer um ataque poderoso à confiabilidade do primeiro-ministro. No que deve ser uma das questões mais sérias em relação à posição do primeiro-ministro, ele perguntou se o público iria confiar em Tony Blair de novo para levá-los à guerra. Houve suspiros audíveis de parlamentares com essa sugestão. E pode ter dado ao primeiro-ministro sério terreno para preocupação. Mas, graças ao apoio de Howard à guerra, Blair pôde virar a mesa com facilidade, o acusando de oportunismo. Direção Uma vez que as limitações do inquérito e seus termos de referência tenham sido levados em consideração, ele permanece um ataque severo na maneira com a qual o processo de ida à guerra foi tratado. Não parece, no entanto, que muitas opiniões vão mudar. Com certeza, existem argumentos suficientes no inquérito para alimentar os dois lados. E há alguma evidência de que as opiniões já estão formadas. Mas isso não é sugerir que o primeiro-ministro está salvo da forca na pior crise de seu mandato. A direção do relatório é, virtualmente, em apenas um caminho, apontando séria falhas no modo que o país foi levado à guerra com toda a conseqüência de perdas de vidas. Então, os argumentos de como o primeiro-ministro, seu governo e seus serviços de segurança lideraram essa campanha vão continuar. |
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