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Atualizado às: 14 de julho, 2004 - 17h33 GMT (14h33 Brasília)
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Inquérito critica inteligência, mas vê boa-fé em Blair
Robin Butler
Documento aponta falhas 'coletivas', e não erros individuais
O responsável pelo inquérito britânico sobre as informações de inteligência usadas para justificar a guerra contra o Iraque disse que o primeiro-ministro Tony Blair "agiu de boa fé" e que não encontrou evidências de "distorção deliberada" por parte do governo.

Robin Butler, que divulgou nesta quarta-feira seu relatório de 196 páginas, afirmou que "seria uma tolice para Blair ter colocado alguma coisa no dossiê que ele sabia ou acreditava ser falso, quando as conseqüências da guerra iriam estabelecer a verdade muito em breve".

No entanto, Butler disse que era uma "falha séria" o fato de o dossiê do governo não conter alertas de inteligência conhecidos pelo Comitê de Inteligência Conjunta (JIC, na sigla em inglês).

O governo britânico também foi criticado por Butler pela "informalidade" com a qual tomou certas decisões.

Fontes

As investigações concluíram que as informações de inteligência coletadas antes da guerra contra o Iraque não eram confiáveis.

Segundo o levantamento, o MI6 (serviço de espionagem da Grã-Bretanha) não checou suas fontes suficientemente e, algumas vezes, confiou em informações de terceiros.

As principais conclusões do inquérito comandado por Butler foram as seguintes:

  • O Iraque "não contava com estoques signficativos - se é que dispunha de algum estoque - de armas químicas e biológicas prontas para uso", mas antes da guerra, o país estava à procura de armas banidas, incluindo um programa nuclear.
  • A afirmação de que o Iraque poderia usar armas de destruição em massa em 45 minutos "não foi comprovada" e limitações de inteligência não foram "suficientemente claras" no dossiê de setembro de 2002.
  • As informações de inteligência foram levadas a "limites extremos, mas não além disso" – não houve distorção deliberada por parte dos políticos.
  • Não havia "informações de inteligência recentes" que levassem as pessoas a concluírem que o Iraque era objeto de maior preocupação do que outros países.
  • Não foram encontradas evidências de que a Grã-Bretanha tenha ido à guerra para assegurar o acesso contínuo ao fornecimento de petróleo.

Butler disse ainda que as falhas dos dossiês de inteligência sobre os programas de armas do Iraque foram coletivas e não resultado de erros individuais.

De acordo com o relatório, essas falhas ocorreram nos processos normais dos serviços de inteligência para a comprovação de fontes de informação sobre a situação no Iraque.

Ele afirmou que parte desses erros poderia ser atribuída à falta de uma equipe adequada para isso, devido a cortes no orçamento dos serviços de inteligência.

Reação

Em discurso no Parlamento britânico, Tony Blair disse que "aceitava" as descobertas de Butler e que assumia "total responsabilidade" pelas falhas cometidas em "boa fé".

Mas Blair adicionou: "Não posso honestamente dizer que acredito que se livrar de Saddam Hussein tenha sido um erro. O Iraque, a região e o mundo estão mais seguros sem o Saddam".

O líder do Partido Conservador, Michael Howard, questionou se o primeiro-ministro ainda tem alguma credibilidade.

Robin Cook, ex-ministro do governo Tony Blair que renunciou por causa da guerra, disse que "a inevitável conclusão do inquérito Butler era que as tropas britânicas foram mandadas para a ação à base de informações de inteligência falsas, análises exageradas e fontes não-confiáveis".

Blair respondeu que os inspetores da ONU não poderiam ter retornado ao Iraque sem que as tropas estivessem lá.

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