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Atualizado às: 12 de janeiro, 2007 - 20h10 GMT (18h10 Brasília)
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Violência ofusca acordo com milícias na Somália
Líder local Musa Sudi Yalahwo e o presidente somali, Abdullahi Yusuf
Líderes locais teriam concordado em entregar as suas armas
Líderes de milícias concordaram nesta sexta-feira em entregar as suas armas ao governo da Somália e se integrar ao Exército nacional, mas o acordo foi ofuscado pela ocorrência de novos confrontos que deixaram pelo menos cinco mortos.

"Os líderes de milícia e o governo concordaram em colaborar pela restauração da paz na Somália", afirmou o porta-voz do governo, Abdirahman Dinari, depois de uma reunião entre os líderes e o presidente somali, Abdullahi Yusuf.

Enquanto a reunião se desenrolava, homens leais a um dos líderes que aceitaram o acordo travaram violentos confrontos com forças do governo, em um sinal de que, mesmo que a rendição de parte dos líderes se sustente, o governo da Somália deverá ter dificuldades em restabelecer a ordem no país.

Pelo menos cinco combatentes foram mortos no choque, segundo um militante. Estima-se que existam cerca de 20 mil combatentes de milícia na Somália, e uma grande quantidade de armas circula pelo país.

UCI

Os sete líderes de milícias que teriam aceitado o desarmamento chegaram a formar uma aliança apoiada pelos Estados Unidos no ano passado, mas foram expulsos de Mogadíscio por militantes da União de Cortes Islâmicas (UCI).

A UCI, por sua vez, foi forçada a deixar a capital no mês passado por uma ofensiva do governo somali com o apoio do Exército etíope, mas nos seis meses em que controlou Mogadíscio retirou a maior parte das milícias das ruas, o que teria representado uma melhora na segurança para muitos habitantes.

Depois da expulsão do grupo, os líderes de milícias voltaram a Mogadísicio, assim como o presidente interino.

A batalha desta sexta-feira, em que foram usados revólveres e uma granada-foguete, teria sido causada por uma discussão sobre onde estacionar um veículo militar.

"Eles mataram cinco dos nossos homens na hora e feriram outros sete, alguns deles de forma grave", disse um militante leal a Mohamed Qanyare Afrah. "Eles não deixaram os nossos feridos serem levados para o hospital."

Mortes de civis

Em outro desdobramento, a agência humanitária Oxfam disse que pelo menos 70 pessoas morreram nesta semana em ataques aéreos americanos contra militantes suspeitos de pertencer à Al-Qaeda.

"De acordo com relatos de organizações locais no distrito de Afmadow, bombas atingiram serviços vitais de água assim como grandes grupos de nômades e seus animais que haviam se reunido em volta de grandes fogueiras para espantar mosquitos", disse Oxfam.

A ONG expressou preocupação com o fato de alvos civis e militares não terem sido diferenciados.

Os americanos afirmaram que tinham como alvo três supostos líderes da rede Al-Qaeda, acusada de estar por trás dos dos ataques às suas embaixadas no Quênia e na Tanzânia em 1998. Washington diz que eles estariam sendo protegidos pela UCI - acusação refutada pelo grupo.

O governo americano, que inicialmente dissera ter atingido pelo menos um dos líderes, reconheceu posteriormente que os três sobreviveram aos ataques.

Um alto funcionário disse, no entanto, que somalis supostamente ligados à Al-Qaeda foram mortos.

O presidente Abdullahi Yusuf havia defendido os bombardeios americanos ao país, alegando que Washington tem o direito de agir contra militantes supostamente envolvidos em ataques a suas embaixadas.

A Somália não tem um governo de fato desde que líderes de clãs locais derrubaram Mohamed Siad Barre em 1991 e depois voltaram-se uns contra os outros. Yusuf assumiu como presidente interino em 2004.

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