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Atualizado às: 09 de janeiro, 2007 - 17h10 GMT (15h10 Brasília)
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Presidente da Somália defende bombardeios americanos
Porta-aviões Eisenhower
EUA deslocaram porta-aviões para dificultar a fuga de militantes
O presidente interino da Somália, Abdullahi Yusuf, defendeu os bombardeios americanos ao país, alegando que Washington tem o direito de agir contra militantes supostamente envolvidos em ataques a suas embaixadas.

"Eles têm o direito de atacar porque alguns dos que fugiram são os que bombardearam a embaixada em Nairóbi e também na Tanzânia e um hotel em Mombassa", afirmou Yusuf, na capital Mogadíscio, retomada na semana passada das mãos de rebeldes.

"Eles são procurados e são conhecidos como terroristas. Eles destruíram embaixadas e mataram pessoas", acrescentou o presidente, que assumiu o cargo em 2004 mas iniciou na segunda-feira a sua primeira visita à capital somali em 20 anos.

Outras fontes do governo interino disseram à agência de notícias Reuters que "muitas pessoas" morreram nos pelo menos dois bombardeios lançados pelos Estados Unidos contra suspeitos de pertencer à rede terrorista Al-Qaeda em áreas ao sul da Somália.

O Departamento de Defesa americano confirmou nesta terça-feira ter lançado ataques no domingo contra o que chamou de líderes da Al-Qaeda na Somália.

Washington acusa a milícia União das Cortes Islâmicas (UCI) de abrigar integrantes da Al-Qaeda, que estaria por trás dos ataques às suas embaixadas no Quênia e na Tanzânia em 1998.

A UCI, que nega ter ligações com a Al-Qaeda, controlou Mogadíscio até a semana passada, quando foi obrigada a recuar para posições no sul do país por tropas etíopes e do governo interino.

Ataque rebelde

Embora os militantes tenham perdido o controle sobre a cidade, há relatos de que eles realizaram um novo ataque nesta terça-feira, desta vez contra um prédio que abrigava soldados somalis e etíopes. Testemunhas afirmam ter ouvido duas explosões, seguidas de uma troca de tiros. Informações indicam que pelo menos uma pessoa morreu e várias ficaram feridas.

Os rebeldes haviam realizado um ataque semelhante dois dias atrás.

O ministro da Informação, Ali Ahmed Jama "Jangali", deu mais uma amostra do apoio do governo somali aos ataques americanos, ao dizer que eles vão continuar até que todos os "terroristas" sejam eliminados.

"Os islamistas estão escondidos numa floresta densa e só ataques aéros podem eliminá-los de lá. Os ataques vão continuar até que nenhum terrorista sobreviva", disse "Jangali" à agência Reuters.

Os alvos dos primeiros ataques teriam sido determinados através de reconhecimento aéreo e em seguida atacados por um bombardeiro Air Force AC-130, a partir da base militar americana em Djibuti, perto da fronteira com o Quênia.

Entre os suspeitos, que teriam sido rastreados depois de serem expulsos de Mogadíscio, estaria um líder da Al-Qaeda no leste africano e outro membro procurado por conexão com os atentados contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia em 1998.

Uma fonte do Pentágono disse à agência de notícias Reuters que um dos três suspeitos dos ataques às embaixadas no Quênia e na Tanzânia foi morto no bombardeio.

"No momento, nós não sabemos qual deles", disse a fonte. "Eu não acho que acertamos todos os três."

Testemunhas disseram ao serviço somali da BBC que uma outra área da Somália, perto da cidade de Afmadow e a 250 km do local dos primeiros ataques, estava sendo bombardeada nesta terça-feira.

Elas contam ter escutado o som de artilharia pesada em vários locais e terem visto helicópteros militares sobrevoando a região.

Não está claro, entretanto, se esses ataques foram lançados por forças americanas ou etíopes, que apóiam o governo interino na Somália e ajudaram a expulsar os militantes da UCI de Mogadíscio.

A Marinha americana também informou ter enviado o porta-aviões Eisenhower para a costa somali a fim de dificultar a fuga de militantes pelo Oceano Índico.

Trata-se da primeira intervenção militar americana desde 1994, ano em que 18 militares americanos foram mortos em Mogadíscio.

Tática de guerrilha

Na sexta-feira, foi divulgada uma gravação em áudio do segundo homem-forte da Al-Qaeda convocando os muçulmanos a usarem táticas de guerrilha contra o governo da Somália e seus aliados etíopes.

Em uma mensagem colocada num site usado freqüentemente pela organização, uma voz identificada como sendo a de Ayman Al-Zawahiri apelava aos islâmicos que fizessem uso de ataques suicidas e emboscadas similares às utilizadas por militantes no Iraque e Afeganistão.

Durante seis meses, boa parte da Somália esteve sob o controle da UCI, financiada por comerciantes e empresários preocupados com a crescente anarquia em Mogadíscio.

Mapa da Somália
Ataque foi realizado no sul da Somália

Em uma campanha iniciada no final de dezembro, o governo interino da Somália, apoiado por tropas etíopes, conseguiu expulsar a UCI e retomar o controle do país.

Depois da derrota, o paradeiro dos líderes da União das Cortes Islâmicas é desconhecido. Autoridades no Iêmen disseram que vários deles buscaram abrigo no país.

Muitos combatentes da milícia islâmica estão escondidos, embora ainda existam notícias de combates envolvendo forças etíopes perto da fronteira com o Quênia, em Ras Kamboni.

Enquanto isso, diplomatas discutem a formação de uma força de paz africana, e a Etiópia diz estar ansiosa para retirar, em semanas, as suas tropas da Somália.

Combatente islâmicoSomália
Tropas do governo e da Etiópia avançam rumo à capital; veja
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